sábado, 20 de novembro de 2010

O Social e o Pessoal

Mafalda de Quino (Gloogle imagem)

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A convivência é uma questão diretamente social. Não estou dizendo ser o ato de conviver consigo mesmo um mito, mas acredito que esse tipo de relação é parte de um todo, e que a auto-suficiência, ora sim, ora não, mostra-se extremamente frágil. 
Por uma exigência social nos policiamos em contextos sociais divergentes do nosso, e também diante de nós mesmos, ou seja, questionar eventuais erros ou acertos é inerente ao ser social, a correta identificação desses erros, bem como a postura diante deles é o que vem a ser maturidade. Quando esse freio (policiamento) também chamado de bom-senso, não é acionado, enfrentamos graves problemas. Fui questionado recentemente por um amigo, agora íntimo, sobre minha primeira aparição diante das pessoas – arrogante e cruel – surpreendi-me, pois essa visão não corresponde à realidade. Ele afirmou: "só somos amigos porque eu não aceitei esta impressão inicial, fui atrás de outras e descobri a essência do amigo, e desse, desfruto agora".
Fiquei pensativo. 
Não pude deixar de interrogar-me em relação às pessoas que não tiveram essa iniciativa e, por isso, agora não há desfrute de ambas as partes. Segundo Fernando Pessoa “para viajar, basta existir.” Quantas viagens terei eu deixado de realizar por não existir diante de mim?
No entanto, acredito, também, que apesar de muitas dificuldades de aceitação, torno-me protagonista na vida social dos lugares que frequento. E vem dessa sociabilidade meu crescimento interior. Entendo sociedade como: relação entre pessoas, e, embora tenhamos, por vezes, muitas pessoas dentro de nós, habitando nossa personalidade, elas coexistem perante nossa apresentação “fixa” de identidade social. Compreendendo sociedade como palavra múltipla, é possível norteá-la de forma construtiva e assim tornar-se mais crítico diante de conceitos importantes como cultura e globalização. Garret sintetiza – o homem e ele e suas circunstâncias – antes de mudanças de atitudes sociais é preciso conceber-se como sociedade, ou seja, mudo aquilo que sou e não simplesmente o que represento.
Não seria jamais cruel nem arrogante comigo! 
Humildemente absorvo os vencidos por minha fatídica primeira impressão, mas acrescento: limitar-se a ela também é uma limitação da qual comungamos inconscientemente.   

Ivanilson Martins