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Veio chegando com malícia cobrindo “ISMOS”, colocou as barbas de molho na minha sopa e puxou meu pequeno fio exposto de fragilidade: sou crueza de sexualidade; expansão de felicidade; espírito em estado bruto. Universo em desencanto.
Iludido abri a mente e o corpo e de pelos eriçados joguei-me na cama como se fora mar. Meu quarto anestesiado despercebia marretadas nas paredes; janelas arregaçadas; rejuntes de cerâmicas separadas por longas estocadas; e telhas indo e vindo do céu a cada urro.
Esgotamos todos os discos de rock da estante para abafar gritos, sussurros e gemidos de dor e prazer – tudo misturado sem coesão, sociologias ou catecismos.
Esgotamos todos os cremes lubrifica-dores dos armários para facilitar a entrada de partes desanatômicas.
Conectamos nossas veias e artérias com os canos da casa e as tubulações do quarteirão para passagem do gozo, até romper estruturas e cair como chuva sobre bocas e poros dos que ousam sair de guetos.
Ao descermos para nossos limites de pele, concreto, endereço e sociedade eu, ainda, era livre.
Ele: banhou-se, vestiu trajes de zumbi, pegou a bíblia e seguiu para o culto numa tentativa de livrar-se do estado de alma que nunca atingira.
Ivanilson Martins
