quinta-feira, 30 de julho de 2015

Fui arrastado ao mundo poético



Na terceira cerveja eu ainda achava vir do outro o vazio que em mim cresce sem fronteiras, sem horizontes e sem dimensões.

Quando pedi a primeira dose de Whisky, de cachaça, jurava ser do outro o leme da angústia que consome meus encantos.

Enquanto exalava cigarro, os versos da música tocada procuravam espaço nas marcas de meu rosto ébrio.

Quando me faltou senso, reinventei-o. Linguagens novas contornaram meu discurso e aprendi a ouvir sem precisar entender.

Entre um isolamento e outro, fui percebendo ser de alma essa febre sem fim; essa sede; e que há um vão abrasado dentro de mim.

Quando perdi o caminho de casa, passei a ter valor para a fábrica invisível das letras; fui arrastado ao mundo poético - sem volta!

Ivanilson Martins


quarta-feira, 29 de julho de 2015

Quase

Mário de Sá-Carneiro

Quase

Um pouco mais de sol - eu era brasa,
Um pouco mais de azul - eu era além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...

Assombro ou paz? Em vão... Tudo esvaído
Num grande mar enganador de espuma;
E o grande sonho despertado em bruma,
O grande sonho - ó dor! - quase vivido...

Quase o amor, quase o triunfo e a chama,
Quase o princípio e o fim - quase a expansão...
Mas na minh'alma tudo se derrama...
Entanto nada foi só ilusão!

De tudo houve um começo ... e tudo errou...
- Ai a dor de ser - quase, dor sem fim...
Eu falhei-me entre os mais, falhei em mim,
Asa que se lançou mas não voou...

Momentos de alma que, desbaratei...
Templos aonde nunca pus um altar...
Rios que perdi sem os levar ao mar...
Ânsias que foram mas que não fixei...

Se me vagueio, encontro só indícios...
Ogivas para o sol - vejo-as cerradas;
E mãos de herói, sem fé, acobardadas,
Puseram grades sobre os precipícios...

Num ímpeto difuso de quebranto,
Tudo encetei e nada possuí...
Hoje, de mim, só resta o desencanto
Das coisas que beijei mas não vivi...

Um pouco mais de sol - e fora brasa,
Um pouco mais de azul - e fora além.
Para atingir faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...

Mário de Sá-Carneiro


terça-feira, 28 de julho de 2015

Bukowski

Charles Bukowski

A tristeza me recobre
E mando a cerveja goela abaixo
Peço uma bebida forte
Rápido
Para adquirir a garra e o amor de
Continuar!

Charles Bukowski