quarta-feira, 15 de abril de 2015

Um Dia

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E um dia virá. Um dia virá sim, nem que por um minuto. O porquê de tudo isso. O porquê desse peso quando não se tem nada em cima. E, talvez, levantemos do incompreensível; talvez, compreendamos o momento em branco e a natureza quando cai em folhas sobre nós. Um dia virá o porquê e fará de gato e sapato as certezas que construímos com tanto esforço.
Ivanilson Martins



segunda-feira, 13 de abril de 2015

Eduardo Galeano

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Quando cai um avião com cento e tantos, vejo em todos os jornais; se matam trinta numa comunidade, vejo em alguns; se os mortos numa noite qualquer forem ilustres, ilustres serão os comentários, longa será a cobertura e eficaz será a investigação. Enfim, se os mortos forem muitos, saberemos...
Mas hoje morreu não uma, duas, dezenas, milhares ou milhões. Hoje morreu um número de multidões cuja dimensão não consigo alcançar. Possuía apenas um nome: Eduardo Galeano.
Escritor uruguaio faleceu aos 74 anos nesta manhã e levou consigo multidões de personagens, pois, quando morre um escritor, vão-se com ele outros como nós e que jamais contemplaremos numa escrita.
Seu falecimento eu li por acaso num site.
Não estou aqui para lamentar a morte, uma vez que acho isso perda de tempo, sobretudo a dele que, com muitas palavras, deu sua cota para um mundo melhor, uma América Latina melhor, ou, pelo menos, mais reivindicativa.
Não estou também para bradar contra a imprensa, pois escritores, em sua essência, escrevem para não precisarem falar, aparecer, mostrar-se sob holofotes, ou seja, a morte faz parte do xou, ou melhor, da ausência de xou.  
Estou para demonstrar o vazio que senti ao vê-lo numa nota de falecimento. Tristeza é uma palavra fácil demais quando a usamos para tapar o espaço de outra que não veio.
Então, cito-o: “Quando as palavras não são tão dignas quanto o silêncio, é melhor calar e esperar”.
Ivanilson Martins