![]() |
| Gloogle imagem |
“Estamos aqui hoje para louvar ao senhor.”
Assim começara meu irmão em seu discurso, e eu que sempre tivera meus entraves com religião, estava ali nos últimos bancos da pequena capela na esquina de nossa rua. Rua humilde que também integrava o holl de meus silêncios. Não sei como nem porquê comecei a edificar meus ódios, mas aquela oração construiu algo de puro em minha imagem até ele. A importância de estar conduzindo algo para um Deus que, para ele, parecia tão possível. Senti certa intimidade com o significado de família. Nunca pensei sentir tanto orgulho por ele e sua família. E ele me chamava, à sua maneira – com a bíblia – para ir comer do bolo. Deixei fantasias e perfeições e admiti meu engajamento para amar, e, com muito talento, amei todos os que a ele miravam com respeito; amei a religiosidade por cerca-lo naquele momento e esqueci-me de qualquer primitivismo e ou alienação cercante em muros religiosos. Eu lamentei por não estar numa roupa mais elegante e por ter negligenciado suas dúvidas de Matemática, dez anos atrás. E a lágrima, ameaçadora durante toda minha vida, e, incutida em inúmeras raivas, enfim, despregou-se de minha casca humana, atingindo graus de espíritos, necessários para quem quer se conhecer. E foi esta presença de espírito que me fez desejar felicidades – quase acreditei nela. Mas não precisei de credulidades nesta hora, pois estar num âmbito desacreditado para mim, não me impediu de deixar qualquer solo e tocar emoções de infância.
Talvez atingir a maturidade com repúdios de passados não seja verdade. Quando dei por mim estava de mãos postas e, de olhos fechados, não acompanhei a oração: acompanhei nossos passos de irmãos; seus olhar era o meu, e nossa mãe ao lado espraiava tudo que podia para que pudéssemos, finalmente, nos enxergar. As vozes dos hinos e os améns rodopiavam diante de mim. Não foi uma pessoa que nascera ali – foi uma vivificação exigindo descanso de uma família. E não por estar na igreja, mas Deus assistia, ali, a outras formas de nascimento, enquanto todos cantavam parabéns para meu sobrinho em seus três anos de idade.
Ivanilson Martins
