quarta-feira, 13 de maio de 2015

Por elas e outras

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Que me venha a beleza de Phryne através dos dedos, para que eu possa descrever o sublime horizonte que tem me livrado da morte.
Que tenha eu a voz poderosa de Boadicéia, para que possa descrever os talos da história com pingos nos is.
Que consiga vencer normas e regras como Khadijah, para fazer de corações conchas onde guarde amor.
Que saiba, como Joana D’Arc, usar as ferramentas ideais para condensar o tempo em busca de liberdade.
Como Dandara, quero saber discernir vida e morte.
E ter a força de Maria Quitéria, ocupar outro gênero para emancipar o todo.
Ser o outro como Anne Sullivan.
Não ser o outro como Rosa Parks.
Ser do outro como Shere Hite.
Que me seja dado o direito de abraça-las à ermo num sonho, numa escrita, num momento andrógeno qualquer, entre uma gravata e um sutiã.
Ivanilson Martins


segunda-feira, 11 de maio de 2015

Miss Celie’s Blues

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                O sol vai estar amplo sobre mim, enquanto estiveres tentando descolar teu brio do chão. E quando ofereceres até a alma por uma réstia de afeto; quando apertares a face e nada sentires; quando te levantares em direção ao sol e este desviar-se de ti; quando até as árvores te virarem as costas e os pássaros voarem de tuas gaiolas e as flores abdicarem das próprias pétalas para não te regalarem uma baga de orvalho; quando te consumires só em meio ao campo e as folhas secas te cobrirem para que, enfim, sobre o esterco, o sol possa dar oportunidade a outra vida – eu vou estar do outro lado, olhando tua existência rasteira, e, sob meus passos, desaparecerás. Meus passos em direção à cor púrpura que nunca admirasses, ali, gratuita no jardim. Eu, Dona Celie, invisível como sempre fui para ti.


Ivanilson Martins