segunda-feira, 11 de maio de 2015

Miss Celie’s Blues

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                O sol vai estar amplo sobre mim, enquanto estiveres tentando descolar teu brio do chão. E quando ofereceres até a alma por uma réstia de afeto; quando apertares a face e nada sentires; quando te levantares em direção ao sol e este desviar-se de ti; quando até as árvores te virarem as costas e os pássaros voarem de tuas gaiolas e as flores abdicarem das próprias pétalas para não te regalarem uma baga de orvalho; quando te consumires só em meio ao campo e as folhas secas te cobrirem para que, enfim, sobre o esterco, o sol possa dar oportunidade a outra vida – eu vou estar do outro lado, olhando tua existência rasteira, e, sob meus passos, desaparecerás. Meus passos em direção à cor púrpura que nunca admirasses, ali, gratuita no jardim. Eu, Dona Celie, invisível como sempre fui para ti.


Ivanilson Martins 

Um comentário:

Banda Tempestade Tropical disse...

Lindo texto, amigo.
E dona Celie é tão visível para mim.