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Tia, enfim respondo sua carta. Tinha
esperança de diminuir esse cansaço despejado sobre meu corpo, mas, parece
ocupar cada fração de mim. Passados um ano e meio:
Tão acostumada às picadas diárias, nem faz cara feia. O xiii
reclamão não soa mais. Eu que tanto esperei por esse momento o vejo se
transformar em prostração. Segue-se: a assepsia – o algodão embebido em álcool.
Lá vai mais uma. E nem se queixa do calor que por vezes desaba sobre nós. Creio
que nem se incomoda com as furadas, como antes. Aparenta estar se abandonando.
A réstia de visão é-lhe fresta de um mundo submerso em auto piedade.
Tia, já não é só por amor minha
entrega, a frieza da obrigação carcome sutilezas e mecaniza gestos. Eu viro o
rosto, tento uma distração, recebo a seringa de suas mãos inertes. Sem o xiii.
O xiii vindo de lábios raivosos e tremulantes. O xiii reclamão e melodioso. Era
uma reação, uma prova de sangue quente, uma companhia. A mudez eterniza o
instante.
E sigo meus quilômetros até a
geladeira. Cavando espaços. Lutando sem palavras, sem ações, apenas em
pensamentos, os quais não ouso escrever. Amando e odiando como numa parábola.
Então, é tudo que eu tenho! É minha falange hirta ante a imponente madrugada.
– Se
não for comer guarda as coisas. Responde batendo a colcha na cama.
Liga o
ventilador. Sintoniza a costumeira estação. Deita-se.
–
Benção a mãe!
– Deus
te abençoe! Responde com voz sonolenta, em seguida, apaga a luz e desaparece
completamente na escuridão. A negrura interior se agiganta, creio que só nesse instante
ela se sinta acolhida.
Quanto
a visita, venha, pode ajudar a reconstruir algumas imagens na cabeça dela. Abrir
pontos de luz em seu universo. Venha também decifrar meus pensamentos não
verbalizados. Não tenho conseguido, tia.
Beijo,
Levi.
Ivanilson Martins