sexta-feira, 29 de maio de 2015

Aquel niño

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“Aquel niño consuela a si mismo:
Pone el pie uno al otro y sube el mentón,
Trayendo el cielo estrellado hacia adentro”.

Ivanilson Martins





quinta-feira, 28 de maio de 2015

quarta-feira, 27 de maio de 2015

E quando se transforma em deserto.

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Tia, enfim respondo sua carta. Tinha esperança de diminuir esse cansaço despejado sobre meu corpo, mas, parece ocupar cada fração de mim. Passados um ano e meio:
Tão acostumada às picadas diárias, nem faz cara feia. O xiii reclamão não soa mais. Eu que tanto esperei por esse momento o vejo se transformar em prostração. Segue-se: a assepsia – o algodão embebido em álcool. Lá vai mais uma. E nem se queixa do calor que por vezes desaba sobre nós. Creio que nem se incomoda com as furadas, como antes. Aparenta estar se abandonando. A réstia de visão é-lhe fresta de um mundo submerso em auto piedade.
Tia, já não é só por amor minha entrega, a frieza da obrigação carcome sutilezas e mecaniza gestos. Eu viro o rosto, tento uma distração, recebo a seringa de suas mãos inertes. Sem o xiii. O xiii vindo de lábios raivosos e tremulantes. O xiii reclamão e melodioso. Era uma reação, uma prova de sangue quente, uma companhia. A mudez eterniza o instante.
E sigo meus quilômetros até a geladeira. Cavando espaços. Lutando sem palavras, sem ações, apenas em pensamentos, os quais não ouso escrever. Amando e odiando como numa parábola. Então, é tudo que eu tenho! É minha falange hirta ante a imponente madrugada.
– Se não for comer guarda as coisas. Responde batendo a colcha na cama.
Liga o ventilador. Sintoniza a costumeira estação. Deita-se. 
– Benção a mãe!
– Deus te abençoe! Responde com voz sonolenta, em seguida, apaga a luz e desaparece completamente na escuridão. A negrura interior se agiganta, creio que só nesse instante ela se sinta acolhida.
Quanto a visita, venha, pode ajudar a reconstruir algumas imagens na cabeça dela. Abrir pontos de luz em seu universo. Venha também decifrar meus pensamentos não verbalizados. Não tenho conseguido, tia.
Beijo, Levi.
Ivanilson Martins


terça-feira, 26 de maio de 2015

Ela baila sozinha em meio àquele universo florido.

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Ela baila sozinha em meio àquele universo florido.
Qual ritmo acompanha...
Apenas o sol passa por ela, posto que, até a típica aragem campesina de fim de tarde, abandonou aquele jardim.
Suas cores se repetem em todas as outras, em redor.
A diferença está mesmo no bailado, cujo ritmo parece vir de dentro de si, da terra onde a plantaram, talvez.
E qual será seu nome...
Alguém se ocupa de irrigá-la...
Talvez seja ela a única viva entre flores mortas.
A única que o solo não retém.
Apenas nela há beleza...
Será por que desprendeu-se do corrente...
Talvez aquele bailado seja herético.
Ou, talvez, seja só o vento balançando poesia.

Ivanilson Martins


segunda-feira, 25 de maio de 2015

A noite acenava ao meu desespero.

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Num silêncio movediço,
a noite acenava ao meu desespero.
Eu tentava amarrar os cadarços das emoções;
Fechava os olhos;
Apertava os pulsos sob o lençol.
– Sou covarde!
– Lança-me a outra curva. 
Quando abri os olhos, demorei a captar a normalidade;
Do incenso caíam as últimas cinzas;
Minha respiração ofegante já cobria silêncio
– Sou meu único desafio, agora.  
Ivanilson Martins



domingo, 24 de maio de 2015

Poema


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E quando escrevo um poema:
Sou inverno sem paradeiro.
E quando pinto:
Sou bento vertendo cores.
E quando danço:
Misturo estrelas em mim.
E quando modelo um busto:
Tenho a pretensão do ourives.
E quando canto:
Sou voz suspensa até o ocaso.
E quando sou teatro:
Sou pele-palavra-paixão. Espírito múltiplo.
E quando chego à sétima arte:
Atravesso corações sem bússola e sem cronômetro. 

Ivanilson Martins