Você já se sentiu um charlatão? Não pergunto aos charlatões!
Esses o são plenamente e não há espaço dentro de si para dúvidas filosóficas.
Falo dos cheios de espaços não preenchidos, cheios de
dúvidas, cheios de filosofias acerca de tudo, os chamados loucos, otários –
falo dos não charlatões de carteirinha.
Tenho me sentido charlatão na minha essência, no meu
interior e, consequentemente, nas minhas ações sociais, pois sou um mar de lama
após o furacão, com tudo que existia antes, agora, resumido a fragmentos, num único
corpo. E aquelas ideias adolescentes de fugir para um lugar melhor, nunca
revelado; de plantar uma árvore no quintal; de criar um elefante... tudo parece
vir como cartas de cobrança. Os personagens imaginários batem à porta com ânsias
de existir.
Mas eu apenas consigo fechar os olhos e me manter como
mais um na multidão, na esperança de que as coisas passem, como sempre passaram
e me deixem, como sempre me deixaram.
É a vida paralisada diante de mim, exigindo atitudes comuns
aos que me cercam, mas apenas consigo dizer-lhe: vou arriscar outra forma.
E com a costumeira sensação ridícula de ser lesado em
tudo, sigo à leve brisa vinda das páginas viradas dos livros.
Ivanilson Martins

