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Pensando
dobre o amor e a relação a dois vi que existem disparidades, pois o primeiro é
atemporal, nunca é tarde para ele e aquilo tudo que já foi mais do que falado.
Mas e a relação a dois? Essa sim é temporal e com prazo de produtividade
marcado – haja vista que pessoas ultrapassam diversos limites para trocar
fluidos corporais – eu nunca senti essa necessidade exacerbada por sexo ou
relação amorosa, mais que isso, sempre achei repugnante e infantil tal
dependência, mas agora admito certa coerência nisto. É preciso correr contra o
tempo – digo isso sem nenhuma intenção de terrorismo – nosso corpo também se
completa no do outro.
Sendo
otimista em relação à vida...
Se
meu outro só resolver aparecer aos 70?
Minha
nossa!
Imagina
a limitação de tal encontro: não poderemos correr um para o outro, uma vez que
nossas pernas mal suspenderão nosso corpo flácido; não poderemos dar aquele
beijo, pois faltarão dentes e nem poderão ser tão doces, pois nessa idade uma
hiperglicemia pode ser fatal. E a música de fundo deve ser alta e nítida para
atender tal carência de boa audição. Nem um poderá carregar o outro como
naquele filme encontrado na sessão dos clássicos fora de catálogo; o caminhar
deve ser cronometrado, a visão bem expansiva e o ritmo lento – nem ouso falar do
depois – ele é cada vez menos depois.
Sei
que o que temos por dentro supera inúmeras dificuldades e no espírito eu me
garanto, mas – vou procurar apertar um pouco o passo em algumas coisas.
Ivanilson
Martins
