sexta-feira, 10 de julho de 2015

Perdão...

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Perdão se te pareço complicado...
Se meu convívio tem muitos botões.
Perdão se Minh’ alma é vasta demais.
Insatisfeita demais.
Polifônica.
É que eu não sei ser mono, uno, único, ímpar...
O vazio às vezes me recria.
Perdão se meus sonhos ultrapassam teu olhar sobre mim.
Se meus sonhos vão de encontro aos ponteiros do relógio.
Perdão pelo jeito ambíguo de responder aos teus chamados.
Pela forma torta de receber teus abraços.
Perdão por estar fora de ordem nos conceitos que construíste.
Por insistir nos meus dramas incolores e desgastados.
Perdão pelas baratas e mosquitos de meu quarto.  
Perdão se falta educação nos meus modos, estrutura nos meus silêncios e coerência nas minhas palavras.
Perdão, mas folhas caídas, vasos de flores, relógios parados, céus acinzentados, casas abandonadas e choros contidos são instantes que carrego comigo e que tento engrandecer e eternizar de forma solitária sob árvores, na companhia de livros e exposto aos ventos que me vêm libertos, como a poesia.
Eu sou o primeiro a desaparecer no escuro do cinema.
E nem assim deixo de ser o cavalo dela.
Acho que sou poeta.

Ivanilson Martins

domingo, 5 de julho de 2015

E o tédio já me passou dos calcanhares.



E o tédio já me passou dos calcanhares, toma agora parte de minha lucidez. Ainda bem, não tenho a menor destreza com entorpecentes, não sei nem pra onde vão. Recorro, então, aos meus livros sobre a estante, aos CDs empilhados uns sobre os outros. Distrair o tédio é-me o intervalo entre uma vida e outra a passar-me pelos dedos em forma de letras e sons. E desce-me em carne-viva, solidão, amargura e medos – descem-me em forma de letras e sons. Já é madrugada, posso descansar de mim, esconder sobre quartetos e tercetos mais esse vazio, e mais esse trecho posso jogar na vala com todos os outros de mesma estirpe.


Ivanilson Martins