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Perdão
se te pareço complicado...
Se
meu convívio tem muitos botões.
Perdão
se Minh’ alma é vasta demais.
Insatisfeita
demais.
Polifônica.
É que
eu não sei ser mono, uno, único, ímpar...
O
vazio às vezes me recria.
Perdão
se meus sonhos ultrapassam teu olhar sobre mim.
Se
meus sonhos vão de encontro aos ponteiros do relógio.
Perdão
pelo jeito ambíguo de responder aos teus chamados.
Pela
forma torta de receber teus abraços.
Perdão
por estar fora de ordem nos conceitos que construíste.
Por
insistir nos meus dramas incolores e desgastados.
Perdão
pelas baratas e mosquitos de meu quarto.
Perdão
se falta educação nos meus modos, estrutura nos meus silêncios e coerência nas
minhas palavras.
Perdão,
mas folhas caídas, vasos de flores, relógios parados, céus acinzentados, casas
abandonadas e choros contidos são instantes que carrego comigo e que tento engrandecer
e eternizar de forma solitária sob árvores, na companhia de livros e exposto aos
ventos que me vêm libertos, como a poesia.
Eu
sou o primeiro a desaparecer no escuro do cinema.
E nem
assim deixo de ser o cavalo dela.
Acho
que sou poeta.
Ivanilson Martins

