E o tédio já me passou dos
calcanhares, toma agora parte de minha lucidez. Ainda bem, não tenho a menor
destreza com entorpecentes, não sei nem pra onde vão. Recorro, então, aos meus
livros sobre a estante, aos CDs empilhados uns sobre os outros. Distrair o
tédio é-me o intervalo entre uma vida e outra a passar-me pelos dedos em forma
de letras e sons. E desce-me em carne-viva, solidão, amargura e medos –
descem-me em forma de letras e sons. Já é madrugada, posso descansar de mim,
esconder sobre quartetos e tercetos mais esse vazio, e mais esse trecho posso
jogar na vala com todos os outros de mesma estirpe.
Ivanilson Martins

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