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– Pois é, Mel, comecei querendo um
homem bonito na adolescência; acrescentei inteligência na juventude; quando
adulta, percebi: honestidade também é importante! Na maturidade, bom humor; no
casamento, achei estar tudo ajeitado; com a viuvez, voltei à lista; com a
velhice, sai cortando itens. Hoje, bastaria ser homem para ganhar aval de
entrada.
– Ai, dona Zu, mas isso não é
problema somente da idade: eu mesma, há pouco tempo, tinha mania de escolher
parceiros pelo pé, quanto mais limpo mais chance tinha comigo; hoje a crise está
tão grande que tenho andado com um par de meias na bolsa. Qualquer coisa, digo
que é fetiche.
– Ah, querida, se meus
vizinhos garanhões aposentados de pornochanchadas não perigassem morrer em cima
de mim, faria uma fila de bengalas na minha alcova e deixaria todas as minhas
putas saírem. Velhas. Loucas. Livres. Porque eu não morro, não! Não por querer.
Vou, mas vou arrastada, Mel. E vou tentando argumentar com a morte, essa dona
sem rosto, sem pele, sem cheiro, sem critérios.
Ivanilson Martins
