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Hoje acordei tão
livre que a vontade era sair nu pelas ruas, com gritos e braceados insanos. A
liberdade era tanta em mim, que quase vomitei. Era como se todos os órgãos
quisessem desatar, livres também. E meu rosto era tão verdadeiro que tive medo
de me expor, frente às pessoas, pois, essas me veriam como nunca antes me
viram.
A liberdade não
precisa ser grandiosa. Às vezes, expressa-se num ato anônimo, como o de
cantarolar baixinho, abrindo bem devagarzinho o interior, e esse sim pode ser
gigante.
Mas a minha era
grandiosa, exaltada, e foi em letras que explodira. E me pus a escrever como se
aprendesse ali a língua portuguesa. E até a minha essência pessimista, até
essa acompanhou minha liberdade, como um rio desencontrado, mas poético. E
tudo quanto fosse inerte tornou-se fulgurante.
Ivanilson Martins
