quinta-feira, 13 de agosto de 2015

A minha voz

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Agradeça por não ser refém de voz interior nenhuma, que tem o controle de pelo menos dois dos seus sentidos e de algumas das suas veias do coração. A minha voz, ora grave, ora aguda, se agiganta em dias de chuva; movimenta-se ao som do Fado; arranha quando tento ser feliz.


Ivanilson Martins

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

A palavra

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A palavra é o terreno com que me deito sem roupas, sem pele.
Não confio em palavras pensadas em excesso, 
enquadradas em lições.
eu gosto de palavras abertas, como confeitos em direção à sede dos sentidos.
Das interpretações.
Com palavras conduzo encantamentos para dentro de mim.
Palavras são lampejos indomáveis na penumbra solitária dos meus recantos.
Com elas cresço dentro dos meus portentos.
É ferramenta com que plano o solo dos meus sonhos.


Ivanilson Martins

...desde então

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...desde então, venho tentando escapar daquelas palavras, que me sugam o discernimento e me fazem encarar todas as minhas limitações. E minha falta de pódio passa a ter uma relevância que não existe.


Ivanilson Martins

A poesia rasgou a roupa diante de mim.

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A poesia rasgou a roupa diante de mim.
Mostrou-me a força do oculto.
A poesia apareceu-me sem pele.
Trouxe consigo tudo o que não vivi.
Oportunizou-me o espanto.
Desceu-me como vinagre pela garganta.
Anestesiou-me os desejos.
Eriçou-me quartetos e tercetos.
A poesia calou as vozes eufóricas da minha alma.
Matou, por poucos minutos, a minha sede de vento.
A poesia costurou-me as feridas.
Atarraxou risos infinitos nas minhas palavras.
Fez-me rio sem precisar chorar.
“Sou tua pajem” – disse-me encapuzada sob o cobertor.
Saí de mim puxado por letras, naquela noite.
Adentrei a primeira paisagem que vi, como bolha de sabão.
Segui por cada vírgula imposta, até ser apenas deslumbre.
Apenas um círio ondeando a madrugada.
 Mas voltei ao físico.
Encantado diante do poema.
Nasci para estar diante do mar.

Ivanilson Martins

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Tô me gastando menos.

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Tô me gastando menos.
Revelo meus medos a mim no meio da música.
Cato de mim os cacos do outro e reciclo com poemas.
Gesticulo para movimentar o diálogo.
Caminho através das palavras.
Tenho no palato um mundo só meu.
A vida é tudo, menos minha.
O canto sai do todo, inclusive do silêncio.
Do ponto de vista do sol – atravesso sensações.
Leio um livro a cada paisagem imaginada.
Tô me gastando menos.


Ivanilson Martins