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A
poesia rasgou a roupa diante de mim.
Mostrou-me
a força do oculto.
A
poesia apareceu-me sem pele.
Trouxe
consigo tudo o que não vivi.
Oportunizou-me o espanto.
Desceu-me
como vinagre pela garganta.
Anestesiou-me
os desejos.
Eriçou-me
quartetos e tercetos.
A
poesia calou as vozes eufóricas da minha alma.
Matou, por poucos minutos, a minha sede de vento.
A
poesia costurou-me as feridas.
Atarraxou risos infinitos nas minhas palavras.
Fez-me
rio sem precisar chorar.
“Sou
tua pajem” – disse-me encapuzada sob o cobertor.
Saí
de mim puxado por letras, naquela noite.
Adentrei
a primeira paisagem que vi, como bolha de sabão.
Segui
por cada vírgula imposta, até ser apenas deslumbre.
Apenas
um círio ondeando a madrugada.
Mas
voltei ao físico.
Encantado
diante do poema.
Nasci
para estar diante do mar.
Ivanilson
Martins