quarta-feira, 12 de agosto de 2015

A poesia rasgou a roupa diante de mim.

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A poesia rasgou a roupa diante de mim.
Mostrou-me a força do oculto.
A poesia apareceu-me sem pele.
Trouxe consigo tudo o que não vivi.
Oportunizou-me o espanto.
Desceu-me como vinagre pela garganta.
Anestesiou-me os desejos.
Eriçou-me quartetos e tercetos.
A poesia calou as vozes eufóricas da minha alma.
Matou, por poucos minutos, a minha sede de vento.
A poesia costurou-me as feridas.
Atarraxou risos infinitos nas minhas palavras.
Fez-me rio sem precisar chorar.
“Sou tua pajem” – disse-me encapuzada sob o cobertor.
Saí de mim puxado por letras, naquela noite.
Adentrei a primeira paisagem que vi, como bolha de sabão.
Segui por cada vírgula imposta, até ser apenas deslumbre.
Apenas um círio ondeando a madrugada.
 Mas voltei ao físico.
Encantado diante do poema.
Nasci para estar diante do mar.

Ivanilson Martins

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