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Se
tenho os músculos e as peles no lugar, por que não me olhas?
Se
tenho desejos lícitos e vícios controlados, por que não te sentas ao meu lado?
Se
mantenho os cotovelos rente à mesa e os verbos bem conjugados, por que desvias
o corpo de meu alvo?
Se me
movo com cuidado quando quero e distingo boas óperas quando as ouço, por que
não são minhas as tuas manhãs?
Se me
satisfaço com poucos tabletes de chocolate e as crianças mais me agradam que me
aborrecem, por que ignoras meu entusiasmo?
Se o
líquido que escorre de meu rosto, meus silêncios e até os meus medos podem ser
convertidos em arte, por que não mergulhas em mim?
Se sou
capaz de enxergar poesia no curto caminho do portão aos teus braços, por que não
me amas?
Ivanilson
Martins
























