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Se
eu pudesse tê-lo novamente nos braços, o apertaria tão forte, tão forte, até
que sua essência me ocupasse por inteiro e eu pudesse acreditar ser possível
viver sem ele.
Se
me fosse dado o cetro da morte, esse nunca o encostaria.
E
eu driblaria, irresponsavelmente, todas as leis divinas.
Iria
de encontro às lógicas do mundo.
Ultrapassaria
seu corpo até habitar por completo o seu espírito.
Desnudaria
seus pensamentos.
Escarafuncharia
todos os seus segredos.
Resguardaria
o odor de seu hálito num frasco.
O
som de seu riso, ataria com linha dupla às minhas orelhas.
Seu
timbre de voz, prenderia numa canção, com poucos acordes de fundo.
E
as vezes que ele calou, verteria o silêncio moribundo em tinta e impregnaria
numa tela.
Todas
as vontades de vida escapadas dele, eu fixaria num amuleto e o usaria no peito.
Seus brilhos. Medos. Lamentos. Vícios. Todos os
caminhos que não desbravou. Tudo. Eu percorreria com alegria, com bolhas de sabão
estourando em redor a cada deslumbre.
Aí,
jamais sentiria o que sinto agora.
Amigo,
que saudade.
Ivanilson Martins

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