quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Você já se sentiu um charlatão?


Você já se sentiu um charlatão? Não pergunto aos charlatões! Esses o são plenamente e não há espaço dentro de si para dúvidas filosóficas.
Falo dos cheios de espaços não preenchidos, cheios de dúvidas, cheios de filosofias acerca de tudo, os chamados loucos, otários – falo dos não charlatões de carteirinha.
Tenho me sentido charlatão na minha essência, no meu interior e, consequentemente, nas minhas ações sociais, pois sou um mar de lama após o furacão, com tudo que existia antes, agora, resumido a fragmentos, num único corpo. E aquelas ideias adolescentes de fugir para um lugar melhor, nunca revelado; de plantar uma árvore no quintal; de criar um elefante... tudo parece vir como cartas de cobrança. Os personagens imaginários batem à porta com ânsias de existir.
Mas eu apenas consigo fechar os olhos e me manter como mais um na multidão, na esperança de que as coisas passem, como sempre passaram e me deixem, como sempre me deixaram.  
É a vida paralisada diante de mim, exigindo atitudes comuns aos que me cercam, mas apenas consigo dizer-lhe: vou arriscar outra forma.
E com a costumeira sensação ridícula de ser lesado em tudo, sigo à leve brisa vinda das páginas viradas dos livros.

Ivanilson Martins 

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