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O sol vai estar amplo sobre mim, enquanto
estiveres tentando descolar teu brio do chão. E quando ofereceres até a alma
por uma réstia de afeto; quando apertares a face e nada sentires; quando te
levantares em direção ao sol e este desviar-se de ti; quando até as árvores te
virarem as costas e os pássaros voarem de tuas gaiolas e as flores abdicarem
das próprias pétalas para não te regalarem uma baga de orvalho; quando te
consumires só em meio ao campo e as folhas secas te cobrirem para que, enfim, sobre
o esterco, o sol possa dar oportunidade a outra vida – eu vou estar do outro
lado, olhando tua existência rasteira, e, sob meus passos, desaparecerás. Meus
passos em direção à cor púrpura que nunca admirasses, ali, gratuita no jardim.
Eu, Dona Celie, invisível como sempre fui para ti.
Ivanilson Martins

Um comentário:
Lindo texto, amigo.
E dona Celie é tão visível para mim.
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