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Quando
cai um avião com cento e tantos, vejo em todos os jornais; se matam trinta numa
comunidade, vejo em alguns; se os mortos numa noite qualquer forem ilustres,
ilustres serão os comentários, longa será a cobertura e eficaz será a investigação.
Enfim, se os mortos forem muitos, saberemos...
Mas
hoje morreu não uma, duas, dezenas, milhares ou milhões. Hoje morreu um número
de multidões cuja dimensão não consigo alcançar. Possuía apenas um nome:
Eduardo Galeano.
Escritor
uruguaio faleceu aos 74 anos nesta manhã e levou consigo multidões de
personagens, pois, quando morre um escritor, vão-se com ele outros como nós e
que jamais contemplaremos numa escrita.
Seu
falecimento eu li por acaso num site.
Não
estou aqui para lamentar a morte, uma vez que acho isso perda de tempo,
sobretudo a dele que, com muitas palavras, deu sua cota para um mundo melhor,
uma América Latina melhor, ou, pelo menos, mais reivindicativa.
Não
estou também para bradar contra a imprensa, pois escritores, em sua essência,
escrevem para não precisarem falar, aparecer, mostrar-se sob holofotes, ou
seja, a morte faz parte do xou, ou melhor, da ausência de xou.
Estou
para demonstrar o vazio que senti ao vê-lo numa nota de falecimento. Tristeza é
uma palavra fácil demais quando a usamos para tapar o espaço de outra que não veio.
Então,
cito-o: “Quando as palavras não são tão dignas quanto o silêncio, é melhor
calar e esperar”.
Ivanilson Martins

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