terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Cabeças Raspadas x Conceito de Cidadania


Gloogle imagem


Não me sinto incomodado quando vejo Lula, Reynaldo gianecchini, Hebe, Ana Maria Braga, etc. com suas cabeças raspadas dividindo com o Brasil suas dores e, após alguns meses, felizes por suas recuperações daquilo que amedronta muita gente – o câncer. 
Fico incomodado quando cruzo o corredor da fundação Altino Ventura em PE e assisto a contra gosto crianças, adultos e idosos na iminência de perder suas visões por não ter como bancar exames simples. Incomoda-me a normalidade e pequeno poderio idiota dos atendentes de telefone do mesmo local em dizer que não há vagas. Seus oftalmologistas reinantes ao estamparem sobre os quatro cantos do hospital seu drible daquela condição ultraje dos pedintes por consulta – pobre do país dependente de medíocres diplomados – esse é o mesmo país que suga todos os anticorpos de dignidade humana e deixa sua população carente de cidadania.
Acompanhar a doença de celebridades (e toda patetice desta palavra) é – ou deveria ser – um motivo de avaliação popular: ver a mídia, tão destrutiva quanto qualquer ditador, armar lonas para humanizar o povo e depois fazê-lo aplaudir a recuperação de seus “heróis” é tão revoltante. Não pelo fato da cura – conquistada por altos investimentos bem distantes daquele corredor do Altino Ventura. Mas pelo proveito cruel tirado da alienação do povo que, na sua falta de criticidade não enxerga que por trás de uma Hebe-Camargo-de-cabeça-raspada existem milhares de brasileiros de pires na mão em filas de hospitais públicos. Se cada brasileiro diante de uma TV a sentir pena de tal dor se convertesse em um representante e aspirador de cidadania. Se...
Incomoda-me a tentativa insalubre que insistimos em edificar de esconder-se, não se sabe onde, problemas tão visíveis deste quase-continente-Brasil. Somos um país cativo em essência e temos o pior dos povos – aquele que só vai para rua pedir dinheiro; quando não, expor e inventar miséria perpetuando, muitas vezes, inconscientemente, um neocolonialismo interno, pois somos pobres por dentro criando “flores amarelas e medrosas”.
A cabeça raspada de famosos é efêmera, em sua maioria, dever-se-ia nesse país acabar com a negligência das que estão jogadas em corredores públicos – pessoas tão cidadãs e contribuintes quanto.

Ivanilson Martins  

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Tenho tido inveja dos que não se importam

Gloogle imagem
Tenho tido inveja dos que não se importam, dos que passam pelo desamor sem lamuria ou interrogações.
Queria não importar-me, mas me importo.
Eu queria não me importar tanto. Acho que o importar-se é uma imposição criteriosa e eu me encaixo em todos os critérios.
Não sou tão bom nem tão mal, mas em importar-se sou excessivo.
Não é que me importe sempre com algo útil, mas me importo. Meus motivos de importância nem sempre os exponho, mas me importo.
Imagine quão magnifico deve ser caminhar por uma rua sem a menor importância de nada, ou melhor – sem obrigatoriedade de importância. O não olhar, o olhar demais, meu olhar, o do outro. Eu estou no outro? E o outro está em mim? Queria poder dizer: E-U N-Ã-O M-E I-M-P-O-R-T-O!
E...
Qual mundo me cabe? As estrelas são mesmo representações de cada poeta no mundo?
Não quero me importar se o vento espalha-se em tristezas por mim ou se o mamão engorda ou não. Meu amigo ainda é crível em essência para mim? 
Quando um poema nasce em mim?
Queria um mundo paralelo onde eu não me importasse com absolutamente nada...
Quais consequências tem esse desejo?
Como gostaria de não importar,
Mas eu me importo.

Ivanilson Martins

sábado, 29 de outubro de 2011

Peneirando o Tempo.

Gloogle imagem

Quando não é suficiente a vida recorro à literatura numa necessidade absurda de acolhimento, pois sou muito triste às vezes.
Carregado de sentimentos me sobreponho a minha própria identidade tentando através das palavras defini-la.
Não me venham com corpo, suores e sussurros – ou qualquer outra limitação – quero esquecer um pouco de nossa mediocridade em comum.
Preciso agora da liberdade vocal de Bob Marley; dos caminhos feitos para serem atravessados. Levanto-me com o mesmo corpo, mas numa estrutura ideológica pulsante.
Quero me vangloriar e ser melhor que você nisso para que naquilo possa ser superado, mas traga consigo poemas e garra; insatisfação e espírito, pois tô com tanta vontade de gritar: não sou daqui. Se não for para gritar comigo não venha.
Solidão é o caminho que divide o que podemos ou não disfarçar e esconder.

Ivanilson Martins