sábado, 21 de março de 2015

Em meio a um pedido de pastel


Gustav Klint (Google imagem)

Quero um reforçado em paixão, anda me faltando; reforçado em pura coragem, não, não, pura não, uma coragem riscada, sabe aquela, cuja resistência, foi testada pelo caminho, e leva no currículo o mérito de ter vencido: soberbias, loucura, abandono, covardias – e tem discernimento para beijar quaisquer faces?
Quero três poções!
Coloca uma pitada de melancolia, envolta pelos ingredientes certos, possui um sabor agradabilíssimo.
Bota também fantasia, tem me feito bem.
Bota a capacidade de sentir remorso, me garante atitudes.
Bota umas gotas de sorte, pelo sim, pelo não...
Pra fechar, um pouco de fé – tem se mostrado o cimento mais eficaz nessa construção cheia de aviltamentos.
Antes de servir, por favor, deixa um tempo escorrendo: rancor e solidão.

E me serve com um vinho da terra.

Ivanilson Martins

quinta-feira, 5 de março de 2015

O REPOUSO DO GUERREIRO – CHRISTIANE ROCHEFORT

Google Imagem

Não sou de recomendar leituras, pois sempre acho meus gostos pessoais demais e, de certa forma, eles me denunciam, mas não pude ficar inerte a essa leitura: um romance de uma intensidade poética absurda. Livro que caiu em minhas mãos, por acaso. Como sempre me vêm as mais significativas mensagens. Devorei em poucas passadas de páginas.

Ivanilson Martins 

domingo, 15 de fevereiro de 2015

Eu não sei beijar!

Gloogle imagem

Eu não sei beijar! Há quem não saiba dançar, cantar, fazer dinheiro, economizar dinheiro, dizer “eu te amo”, andar num pé só depois da décima cerveja. Eu não sei beijar. Nunca me disseram, mas é tão certo em mim que nunca esperei as palavras, faço aquela expressão de “foi o café que estava muito quente”, e, com meu “não saber” patético, alço meus títulos e diplomas e sumo. Saio sorrateiro pela madrugada, de mãos postas ante a lua, com poemas nas mangas e uma sensação de ridículo de uma tonelada no ombro esquerdo. No direito levo a placa de sempre, o riso insosso e a casa da paixão escancarada à esperança de um “pra sempre”.

Ivanilson Martins