quinta-feira, 23 de julho de 2015

A minha condição humana


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Agora, neste momento, habitam meu peito todos os meus lutos.
Concentram-se em redor de mim meus medos mais secretos.
Cai frente a mim, agora, personificado em olhos tristes, meu pensamento repugnante, e reluz como ouro falso no espelho de meu quarto.
Sou tão real agora.
Sou o mais real de todas as minhas personas.
Quem penetrará a minha condição humana?


Ivanilson Martins

domingo, 19 de julho de 2015

Alguém aí...

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Alguém aí entende de solidão?
Calce, por favor, pantufa em formato de cachorro, com orelhas caídas, olhos mansos e patas recolhidas e caminhe pelos versos que, de mim, esperam saltar; atenue as suas ânsias de substituir o sol; acalente-me as mágoas e faça-me as perguntas certas.


Ivanilson Martins

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Sou filho dessas paredes...

Alto da Bondade - Olinda/PE/Brasil/América do Sul

 Sou filho dessas paredes pichadas.
Nesse rio coberto por lixo vão-se lágrimas minhas.
No medo de voltar pra casa à noite também está minha coragem.
Com os passos vasculhados neste ônibus construo diversas estradas.
É no silêncio noturno destes becos que cavouco horizontes.
Qual dejeto resguarda minha digital nesse esgoto aberto?
E as balas perdidas de mim ocuparão quais corpos agora?
Preciso me livrar desse lugar-comum à margem e preencher o centro.
Nessa cidade...
Nessa cidade cujos corpos infantis pendulam desadornados.
Nessa cidade cuja fumaça contorna minha raiva.
É nessa cidade de perdas e ganhos onde habitam meus sonhos.
Onde viceja o deslumbre do verso que me invade.

Ivanilson Martins