domingo, 13 de dezembro de 2015

Vontades e abismos

Robert Mapplethorpe

Poema em coautoria com Josafá Henrique Gomes

Vontades me perturbam.
Abismos se abrem em danação a cada movimento de olho.
Está aqui aquele parapeito que tanto afugentei.
Companhia irônica da solidão.
Mas a batida do coração é um tango – composição interior.
Alavanca novos impulsos...

E o que era apenas tristeza num canto ascético de mim, agora é verso, agora voa.

Ivanilson Martins

domingo, 29 de novembro de 2015

As margens do meu corpo...

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Que angústia alfineta as margens do meu corpo...
É alma... alma... alma...
Pendula como um lampião aceso.
Não é apenas de segundos e minutos a hora que me resta.
Nela estão os poemas desse espírito velho.
Eu vou ser honesto: não sou verso, sou reverso. 

Ivanilson Martins 


quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Sabes por que não fui?

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Sabes por que não fui?
Não fui porque estarias em minha frente e, cercado pela informalidade, eu me equivocaria.
Não fui porque um dos meus seres inéditos, talvez, escapasse de mim em direção a ti, sem pudores, amarras, lógicas e sentidos. Assim como me ensinou a ser, a vida – todos veriam.
Não fui porque pôr meus sentimentos à mostra não me é uma opção plausível, talvez, voltasse sem pele, em carne-viva, depauperado, de mãos-postas ao meu estado solitário... latino-americano... poeta sem endereço...
Não fui porque minha solidão me constrange quando, de alma nua, vejo-me ao espelho.
Fiquei por dignidade e respeito ao que não me preenche porque não me pertence.


Ivanilson Martins