segunda-feira, 5 de junho de 2017

A menina que salvava livros

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Durante a semana, houve uma notícia destoante, em um cenário de caos: “A menina que salvava livros”. Rivânia da Silva, oito anos, moradora de São José da Coroa Grande, um dos Município afetados pelas últimas chuvas, em Pernambuco, vendo sua casa ser tomada pela água, salvou apenas seus livros. Indagada do porquê de tal atitude, a brasileirinha respondeu: “porque eles são o meu futuro”.
A imagem da garota agarrada aos livros escolares veio-nos como uma representação de humanidade ante tantas outras imagens brutais e atuais pelo mundo, talvez tenha vindo com a missão de levantar-nos a cabeça e fazer-nos acreditar novamente num futuro humanizado.
Ser a educação subjetividade, participação e contexto, nós acabamos apreendendo no decorrer de nossas experiências cotidianas e teóricas durante a vida, entretanto, emocionar-se por uns poucos instantes com aquela nota é oportunidade de perceber o quanto a educação também pode ser algo concreto e palpável. Essa menina, inconscientemente, como geralmente são as mais celebres e pioneiras aprendizagens, educou-nos. Fosse ordenado a ela apenas correr em direção ao barco, certamente a Vida seria o único bem resguardado, mas, em meio às urgências impostas pelo temporal, ouviu da avó: – traga apenas o essencial!
O crescimento proporcionado pelos bons livros é incalculável – é um crescimento interior. Eles nos proporcionam uma expansão cultural e uma compreensão existencial e social indispensáveis para se viver em harmonia com a natureza, consigo e com a sociedade. Acerca disso, diversos autores já se manifestaram. Fernando Pessoa disse: a literatura é a maneira mais agradável de ignorar a vida”. Acrescento: também é a mais agradável de se comunicar com ela.
Ao projetar-se num futuro, tendo como ferramenta aqueles livros, Rivânia guiou-se por caminhos amorosos e objetivos, ambos estimulados pela educação, pela leitura, pelos bons exemplos, certamente vistos em sua trajetória de estudante; levou-nos a questionar valores e a rever posturas talhadas em nossas rotinas pouco cidadãs. Cidadania não é apenas parabenizar o comportamento dessa jovem, mas também, perceber que aquela criança está argumentando sem palavras em prol de um futuro ameaçado pelo descaso; está pedindo socorro ao instrumento fundamental em quaisquer desenvolvimentos – a educação.
Vejo nessa menina uma mensagem sensível e a direciono aos donos de minha nação: educando o filho do outro, eu educo o meu próprio filho, educo a mim mesmo, pois naquele barco está todo um Brasil, aqueles Municípios são a minha casa e o meu quintal – e aqueles livros segurados com veemência por aquela brasileira são os degraus que o mundo ainda precisa galgar.  
Ivanilson Martins 

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Quando me apropriei do alfabeto

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Graças a Deus me apropriei do alfabeto
E – com toda lucidez –
descanso num texto delirante.


Ivanilson Martins

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Tenho um cofre repleto de paisagens



Tenho um cofre repleto de paisagens
Quando estou triste prego algumas nas paredes da vida
E abro janelas para outros mundos.

Tenho um peito repleto de amores,
Quando me sinto sozinho removo-os com poema-faca
E, de braços dados, seguimos em ciranda pelos jardins da eternidade.

Tenho horizontes repletos de caminhos, pelos quais vou e não volto.
Quando estou exasperado, finco bandeiras para não repetir dores.

Tenho gritos interiores,
Quando avisto quaisquer eclipses,

Apago as luzes ao redor e fecho os olhos, até verter por completo o que há dentro de mim.


Ivanilson Martins