sábado, 27 de novembro de 2010

Se eu tivesse sido o orador de minha turma...

Gloogle imagem



Bom, assim como Calvin, resolvi inflar ideias fracas, afinal a única academia que já cogitei entrar é a perto de casa vinte reais mensais e vinte e cinco com esteira. Se a oração de formatura de minha turma de design gráfico tivesse sido minha, teria sido bem curta. Não contemplaria os detalhes benéficos que certamente cada um ali tem, pois devo confessar – não fui um estudante somente medíocre, fui um transgressor do conceito de Design e da minha própria imagem, a explicar slides não esmiuçados anteriormente, sequer vistos; a criar campanhas com dois retângulos e um círculo; peças gráficas apenas sustentadas pela oratória do criador. Pergunto-me onde estas estão agora? Talvez em alguma feira amadora servindo como papel de rascunho para a distração das crianças. Fugiria do tradicional recital de frases e poemas enfáticos, bem como das piadas internas e tentaria, ensejado pela vestimenta unitária do grupo, enxergá-los num único plano para então, pretensiosamente, invocá-los.
O adjetivo de Ábia cuja utilidade, sem dúvidas, transcendeu os informes da CGR, seria: observadora, que, dentro de um campo de Girondinos e Jacobinos, conseguiu manter o mito da neutralidade. Mas, não quero seguir uma análise diagnóstica alfabética, pois se assim fosse, João viria depois de mim e, seja em termos de nota ou harmonia social, sempre se deu o contrário. Citaria Amanda e Cristiano como dupla sim, uma vez que seja de longe ou de perto, fui testemunha ocular de bem sucedido pleito. Outras inerências também estariam presentes em minha oração – Luzivan, Thomaz e Wagner – que, como grupo, conseguia manter certa autonomia em relação aos problemas administrativos e didáticos do Instituto. Problemas esses que, confesso, usava como álibi quando me convinha. Quanto a JU-GIL-NAT-MICA-DIGO-MIX-ZÉ-FORMIGA, a beleza e o intelectualismo que os coloca na "Alta-Recife" viam-se em diversos graus e locais, inclusive, para alguns, até em cima das privadas nos banheiros.
Em minha oração não ignoraria pessoas como Pedro, Paulo, Rosali, Évora e Érick que, embora não tenham priorizado o IF naquele momento, seguem com sua mesma positividade de tratar as pessoas quando encontro-lhes. Diria de minha satisfação em conversar com policia e bombeiro no mesmo recinto, sem qualquer policiamento. Agradeceria a Joyce, não só por me ensinar o uso de ferramentas, mas por ensinar-me a aprendê-las, bem como por não compartilhar do bullying do “chiiiiiiiiiiiii” falacioso, emolóide e pseudo - intelectual. Se eu fosse esse orador não citaria aparências com corujas, mas riria da possibilidade; não saberia falar em amizade, já que essa para mim é íntima da convivência, mas admito Clarice quando esta afirma ser a amizade independente da presença física. Lutaria para não ser piegas, no entanto sei da dificuldade, pois apesar da dureza sertaneja: “não há gente oh não, luar como esse do Sertão”.
Embora ratifique a ideia de que ao ministrar uma sala de aula, por vezes, não conseguimos demonstrar nosso verdadeiro potencial, excluiria a parte dedicada aos maestros, para evitar hipocrisias ao citar alguns muitos. Nem as disciplinas, pois isso implicaria numa revisão.
Porém, não me privaria de falar do IFPE, pois este foi recíproco com quem o enxergou como oportunidade e soube absorver sua potencialidade e agora, espero, estejam colhendo os frutos.
Eu sei que: “o Diaaaabo é habilidoooso” e que a “boca é minha”. Minha nossa, prometi que não diria piadas internas. Enfim, ainda bem que quem orou era jornalista de verdade.

 Ivanilson Martins

sábado, 20 de novembro de 2010

O Social e o Pessoal

Mafalda de Quino (Gloogle imagem)

-->
A convivência é uma questão diretamente social. Não estou dizendo ser o ato de conviver consigo mesmo um mito, mas acredito que esse tipo de relação é parte de um todo, e que a auto-suficiência, ora sim, ora não, mostra-se extremamente frágil. 
Por uma exigência social nos policiamos em contextos sociais divergentes do nosso, e também diante de nós mesmos, ou seja, questionar eventuais erros ou acertos é inerente ao ser social, a correta identificação desses erros, bem como a postura diante deles é o que vem a ser maturidade. Quando esse freio (policiamento) também chamado de bom-senso, não é acionado, enfrentamos graves problemas. Fui questionado recentemente por um amigo, agora íntimo, sobre minha primeira aparição diante das pessoas – arrogante e cruel – surpreendi-me, pois essa visão não corresponde à realidade. Ele afirmou: "só somos amigos porque eu não aceitei esta impressão inicial, fui atrás de outras e descobri a essência do amigo, e desse, desfruto agora".
Fiquei pensativo. 
Não pude deixar de interrogar-me em relação às pessoas que não tiveram essa iniciativa e, por isso, agora não há desfrute de ambas as partes. Segundo Fernando Pessoa “para viajar, basta existir.” Quantas viagens terei eu deixado de realizar por não existir diante de mim?
No entanto, acredito, também, que apesar de muitas dificuldades de aceitação, torno-me protagonista na vida social dos lugares que frequento. E vem dessa sociabilidade meu crescimento interior. Entendo sociedade como: relação entre pessoas, e, embora tenhamos, por vezes, muitas pessoas dentro de nós, habitando nossa personalidade, elas coexistem perante nossa apresentação “fixa” de identidade social. Compreendendo sociedade como palavra múltipla, é possível norteá-la de forma construtiva e assim tornar-se mais crítico diante de conceitos importantes como cultura e globalização. Garret sintetiza – o homem e ele e suas circunstâncias – antes de mudanças de atitudes sociais é preciso conceber-se como sociedade, ou seja, mudo aquilo que sou e não simplesmente o que represento.
Não seria jamais cruel nem arrogante comigo! 
Humildemente absorvo os vencidos por minha fatídica primeira impressão, mas acrescento: limitar-se a ela também é uma limitação da qual comungamos inconscientemente.   

Ivanilson Martins