sábado, 25 de maio de 2013

Rainha do Milho

Gloogle imagem


"o poeta não é um ser de luxo, ele não é uma excrescência ornamental da sociedade, é uma necessidade orgânica de uma sociedade, a sociedade precisa daquilo, daquela loucura, para respirar. é através da loucura dos poetas, da ruptura que eles representam, que a sociedade respira..."
Paulo Leminsky


Dedicada como uma flor quando quer se revelar abriu a saia e rodou conquistando grande espaço ao redor. Fora sucumbida pela vestimenta de Rainha do Milho e, embora, o reinado fosse de apenas trinta minutos de dança na quadrilha: sua majestade tomara-lhe outros espaços.
Cortejada pelo mais vistoso cavalheiro e respeitada por toda a palhoça fez digno tal momento de solista em meio a aplausos vindos de quaisquer mãos. Facilmente apaixonante as sensações que a enredavam: trono, respeito, luz.
Bailou entre triângulos, sanfonas e zabumbas com gestos delicados e passos autênticos – era belo o semblante imposto de mulher aos que a veem em outras épocas. Bandeirinhas multicoloridas empolgadas com o forró eram apenas figurativas diante do peito garbo e do olhar emoldurado por cultura, arte e alegria.
Terminadas as coreografias apertou com sofreguidão a cintura, pisou com o dobro de peso o salto, olhou fixamente o mundo em volta daquela festa junina, mas não pôde segurá-la por mais tempo.
E se eu me apaixonar por tal mundo? A resposta a tal pergunta viera com o apagar das luzes; a separação de mãos de rei e rainha do milho e o anúncio em alto-falante da próxima atração.
Sozinha foi se descompondo. Enquanto tirava os cílios, o enchimento do colo e a peruca – se sentia mais vigiada.
Caminhou aplaudido pelos súditos que ainda guardava em pensamento. E os mesmos aplausos: agora eram risos ignóbeis plantados em rostos eternamente destituídos de majestade.

Ivanilson Martins

Nenhum comentário: