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Achei que dançava. Meu
corpo era mais um exposto dentro do mar de gente onde se encontrava perdida
minha cidade. Mil pessoas passaram por minha pele. Mil peles roçaram na minha. Digitais
nas minhas tatuagens. Vozes fragmentadas nos meus ouvidos. Um sorriso, lá longe,
tentando se chegar. Confetes narrando poesia na frente dos meus olhos. Pés
cansados esperando um ponto de chegada. Um sol imenso tentando atingir algo à
sombra de todos nós. E uma alma intacta, com as mesmas valas de incêndios, com
as mesmas pelancas de medo caindo da face: vazia e objetiva na margem de um rio
infinito. É a minha!
Ivanilson
Martins

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