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Olho-me ao espelho e vejo
alguém solto de uma mão taciturna, seguindo pontos de luz – é uma criança.
Olho-me ao espelho e vejo a pele
desprender-se de um corpo e espalhar-se no vento. Há um sorriso emergindo dum
rosto, lá em cima, compondo um céu todo aberto.
Olho-me ao espelho e vejo,
preenchendo a moldura: um velho com cara de jovem; o choro e o riso
entrelaçados no ombro, como tatuagem.
E, na sua
morada, uma tristeza na iminência de tornar-se canção.
Ivanilson Martins

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