segunda-feira, 8 de junho de 2015

Olho-me ao espelho

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Olho-me ao espelho e vejo alguém solto de uma mão taciturna, seguindo pontos de luz – é uma criança.
Olho-me ao espelho e vejo a pele desprender-se de um corpo e espalhar-se no vento. Há um sorriso emergindo dum rosto, lá em cima, compondo um céu todo aberto.
Olho-me ao espelho e vejo, preenchendo a moldura: um velho com cara de jovem; o choro e o riso entrelaçados no ombro, como tatuagem.  
E, na sua morada, uma tristeza na iminência de tornar-se canção.

Ivanilson Martins 

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