sexta-feira, 12 de junho de 2015

Noite

Henri Tolouse-Lautrec


Tu que me vens, sombra maldita,
Articulada e Silenciosa. Indiferente.
Vagarosa, como se amaciasse a pele abatida.
Sou Triste, bem o sabes.

Tu que me vens, sombra maldita, Carnívora.
Adestrando Brisa. Cavalgando sonhos à noite escura.
Me exiges a outra face e retiras o véu da minha Mágoa – real e fria, como espada.

Tu que me vens, sombra maldita, numerando Medos. Transformando em nada o meu Nada.
Rindo de rezas, de pescas, de brechas.
Da fadiga sobre meus versos.

Tu que me vens, sombra maldita, Tenebrosa e Sem Piedade, e me levas a cantos covardes.
Apertas meus Ares Melancólicos, como Calos.
Expõe Arroubos, Nervos, Culpas, Estalos.

Maldita. Maldita. Tripudias de minha Sede.
Tu que guardas em ti os fios de uma Rede.

E me embalas enganosa, como a pássaros engaiolados, com teu descaso e teu blefe.

Ivanilson Martins 

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