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Hora,
não venha querer me fazer amarrar à cintura um ateísmo que nem você mesmo
compreende. Desculpe-me, mas me parece estupidez alguém que não teve ou não
entendeu as próprias experiências – aquém do corpo – querer vir diminuir as
minhas. Eu acredito em Deus! Dito assim parece uma justificativa e ou uma forma
de se diferenciar ou se valorizar, mas é, tão-somente, a minha fala.
Entendo
que o “Buda” desse, o “Senhor” deste, o “Jeová” daquele, o “Oxalá” daquele
outro são designações distintas em corações distintos. Isso não é problema, ao
contrário, é conteúdo para bons debates. Problema é quando você sai de sua
designação para desqualificar a minha, de posse de uma soberba e de um
pseudocientifiquíssimo, e com cetro de certeza idiota.
For
eu explicar aqui como a fé se manifestou em mim, talvez não o convença, mas
está tremeluzindo no meu espírito e me fazendo ver na natureza, por exemplo, as
faces do Deus que me escolheu acreditar nele. Escolheu os meandros da arte; as
vozes dos amor, e tantos outros arcabouços escondidos dentro de cada um.
Então,
talvez o empenho dos ativistas contra a fé do outro, seja procurar dentro de si
a sua. Caso não encontre, respeite o sujeito que chora ante a beleza de uma
escultura, ante o olhar verdadeiro de uma tela, ante a cena excelsa de um
filme, ante o riso driblando a dor da bailarina, ante o bom ator que segura o
tempo no palco. Respeite o ser que dá status de música e verso às dores que não
consegue explicar. Respeite quem passa uma hora olhando uma rosa. E os que
dedicam a vida a cuidar da vida do outro, esteja ela num ser racional ou
irracional. Respeite os que escolheram não julgar e, sob toda luta, aceitar,
perdoar, agregar... São formas de acreditar em Deus, entendendo Deus como humanidade;
como algo que pulula em nós e nos faz seguir este caminho e não aquele; que nos
traz a beleza das coisas e, de posse dela, não acharmo-nos superiores. Crer em
Deus talvez seja sentar-se sobre o nada e, mesmo assim, frutificar-se.
Neste
texto há suposições minhas, não são explicações, doutrinação, recrutamento,
julgamento ou tratado da nova ordem religiosa. Mas tenho ficado irritado com
pessoas que tentam talhar a todo custo no peito do outro sua forma de ser e
pensar. Afinal: “querer ser livre é querer
ver livre os outros”. Simone de Beauvoir
Ivanilson Martins

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