Dentro de mim há
uma orquestra inteira tentando atingir uma centelha de paz. Há estátuas sem
rosto. Telas inacabadas. Rabiscos preciosos.
Há um quadro de
Klint se derramando.
Dentro
de mim, pés sangram, como se pisassem dores. Choram velhos abandonados e
crianças abusadas.
Há imagens que se
multiplicam.
Há outonos abraçados.
Dentro
de mim, mãos estendidas pedem o que não posso dar – não há eternidade, dentro
de mim.
Há um peito se
debulhando.
Dentro
de mim, fabrico coragem ante a certeza da morte.
Há segredos... Solidão...
Crimes Impunes... Paixão...
Dentro não falta
espaço para novas cores.
Dentro de mim há
uma cama vazia, uma mesa vazia, uma pele vazia... Calafrios.
Dentro
de mim, contra minha vontade, também estão os que riram das minhas diferenças;
estão os livros que roubei e não li.
Ah,
quantos sonhos ainda me invadem...
Ivanilson
Martins

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