quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Mi héroe era un huérfano: EL CHAVO DEL OCHO.


Roberto Gomes Bolaños CHAVO DEL 8 (Gloogle imagem).

Hoy puedo ver algunos trozos de mi aprendizaje, su intensidad y sus valores. Puedo ver como se dio en mi infancia sencilla. Allá está ella una herramienta invencible, mi hermanita chévere y compañera injuzgable: la tele y sus mágicos personajes – en especial El Chavo del Ocho y El Chapulín Colorado – y si es verdad que nuestro carácter e identidad se hacen hasta los siete años – los míos se hicieron con ellos. Solo hoy puedo ver claramente: a mí no importa si la ropa es remendada, yo veo, sin demagogia, si el mirar es verdadero; yo sé que los héroes pueden tener miedo no hay problema, pues lo más importante es enfrentarlo; veo que no existe una vecindad perfecta porque no existe perfección – ella es una construcción diaria.
 Agradezco a ti Roberto Gomes Bolaños por los rastros en mí personalidad, te quiero muchísimo bien porque estuvieste presente en mi vida de la forma más productiva posible, enseñando a mí sin conocerme: lo bueno que es jugar solo con la imaginación, aunque, por veces, estemos con hambre, sin prendas adecuadas y llenos de limitaciones, pero no necesité de escudos plateados, armas invencibles y súper poderes, como hoy hacen creer los héroes norte americanos en las pelis y videos – mi héroe era un huérfano: EL CHAVO DEL OCHO.
Es maravilloso poder decir – hoy tengo otras perspectivas, soy un hombre que respeta las villas humildes y sus familias solo con madres o solo con padres por saber que también en ellas existe belleza, existe el Chavo, la Chilindrina, el Don Ramón, Señor Barriga, la Bruja del 71, el Kiko, la Dueña Florinda y su Maestro Jirafales…
Esta es mi forma de agradecerte – con mi escrita – por ser uno de mis padres – GRACIAS.   

Ivanilson Martins

quinta-feira, 31 de março de 2011

Quer visitar Olinda? Se garanta!


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Se algum turista amigo me escrevesse perguntando: devo passar minhas férias ai, em Olinda? Eu diria: é maravilhosa, em beleza e história. É uma das mais preservadas cidades coloniais do Brasil, mas, como cidadão olindense, eu alerto – ela mantém vivas outras peculiaridades coloniais: nossos altos impostos não refletem nossa qualidade de vida.
Venha com um ótimo plano de saúde, ou com um grau elevadíssimo de mediunidade, pois, para usufruir do “excelente” atendimento nos postos públicos, dado por pseudoassistentes de saúde, indicadas pelos nossos (lugar destinado à boa educação) vereadores, você terá que intuir com meses de antecedência suas doenças, uma vez que sua consulta só se confirmará quando fizer aniversário, ou seja, Olinda tem gente que torce! Ah, esqueça isso de “prioridade para mulheres, crianças e idosos”. Para pegar a ficha de atendimento pro próximo mês, na escuridão da madrugada: todo mundo é igual.  
Venha com hospedagem garantida no centro, já que a periferia só receberá a visita do prefeito, quando este for candidato; só aparece no rodapé da mídia, quando queima pneu e interdita avenida, e, lógico, quando exalta a negritude em arte nas ladeiras carnavalescas. Essa mesma periferia se boicota pichando suas escolas e quebrando seus orelhões; prefere votar na final do Big Brothers a dar seu voto no Orçamento Participativo (OP), para definir as prioridades do dinheiro público, mas também há criatividade aqui – em criar siglas: CAC (comando de Águas Compridas), VDB (vândalos da Bondade), TGN (turma da gata de Nova Olinda), CQJB (cornos da quebradeira de Jardim Brasil), MRD (maconheiros de Rio Doce) entre outras. Quem disse que não somos organizados?
Nossas periferias fazem arte à torta e à direita – essa arte pode ser vista: alegrando palcos no Carmo, Fragoso e Guadalupe; transformando artisticamente comunidades no nascedouro de Peixinhos; transmitindo cidadania às famílias dos catadores de Santa Tereza e Sitio Novo; abrindo os dentes da elite e exercitando os punhos da burguesia no bater da alfaia e no rabo-de-arraia da capoeira, na Sé... Mas, terminado o evento, amontoam-se de volta ao aquecimento coletivo de Xambá, ao salto com revezamento da PE-15, ao “pegue-seu-lugar-a-todo-custo” do terminal de Rio Doce... ao esquecimento.  
E, por falar em coletivo: venha motorizado, pois nossos ônibus além de inseguros podem passar sarna e estão sempre lotados. E nossas integrações (as que estão e as que virão) são belos exemplos do quanto ainda somos colônia. E se estando sem carro, pretender ultrapassar às 23h, na rua, terá que ir para nosso primo ao lado: Recife, que, diferente de Olinda, dispõe de bacuraus para as periferias, inclusive as nossas, pois nosso prefeito certamente tem carro, e se não tivesse, os bairros de destino costumeiros por certo não seriam os das siglas acima.
Venha só pelo sol, pois nossas praias agregam diversos banhistas: coliformes, bactérias, germes e, lógico, nós humanos. E como micoses não esperam aniversário de consultas – é melhor não arriscar.
Não se limite às comuns paisagens praieiras de Casa Caiada e Bairro Novo e às ruas bem asfaltadas de Bultrins, Jardim Atlântico, Amparo e Ouro Preto. Fotografe, também, o canal aberto de Salgadinho, recheado de espécies raras e ainda não catalogadas por nenhum biólogo; os morros do Alto da Conquista, modelado a cada chuva; as matas virgens que rodeiam o Alto do Sol Nascente; a feira do troca-troca de Caixa D’água, que acompanha a de Caruaru em variedades; o risca-faca de Passarinho, onde as garçonetes estão no cardápio; e o lixão de Aguazinha, que mesmo desativado, ainda é arrimo de muitas famílias. 
Venha destinado a não sustentar máfias, pequenas ou grandes: dando esmolas; pagando flanelinhas; comprando pipoca e mentos de crianças; pagando a cervejinha do pequeno-poder; virando a vista das crianças da V8, se prostituindo por drogas no viaduto do Varadouro; ouvindo o arcebispo mó e toda sua corte intocável – patética... pois, estas aí, a gente já sustenta há muito tempo. Quer visitar Olinda? Venha com os braços abertosolhando pros lados.


Ivanilson Martins

terça-feira, 29 de março de 2011

Meus Pulos do Capitalismo.


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Tô tentando fugir do capitalismo. Sei que para uma socialização convincente e salutar nesta esfera na qual vivemos temos que adotar certos hábitos capitalistas, mas tenho crescido com meus erros e tenho sabido burlar hábitos engessados sem agredir minha sociedade, ainda mais. Outro dia achei um celular com mais funções que a maioria dos aparelhos lá de casa. Fiquei contente, pois em nenhum momento o dinheiro sobrepôs minha identidade no ato da devolução. A simplicidade das comidas que comi e dos lugares que visitei deram-me razão e uma emoção mais próxima das dificuldades sociais. Confesso que queria não precisar lutar tanto por tudo; adoro dormir e não ter compromisso nem obrigações ligadas unicamente ao dinheiro. É uma limitação. No princípio da humanidade tínhamos tantos problemas e tantos desafios a enfrentar, agora temos tantos problemas quanto, e “apenas” uma solução: o dinheiro. Pergunto se sou privilegiado ou ingênuo por não ter tudo à venda. Mas, tenho vencido o capitalismo. Estou, por exemplo, preferindo ouvir a voz do Brasil a CBN, pois esta última perde para a primeira com sua ascendente carga de propaganda; vou pedir demissão da única carteira assinada que possuo; estou juntando dinheiro para conhecer o Maranhão sozinho com minha literatura. Tenho, muitas vezes, apenas o dinheiro para o lanche, mas tenho tido minhas tardes tão plenas de contentamento. Eu tenho até sido uma boa companhia para mim, até tenho ouvido músicas mais alegres – não sou filho do capitalismo – sou filho dos que ousam ter identidade e liberdade.

Ivanilson Martins