domingo, 15 de fevereiro de 2015

Eu não sei beijar!

Gloogle imagem

Eu não sei beijar! Há quem não saiba dançar, cantar, fazer dinheiro, economizar dinheiro, dizer “eu te amo”, andar num pé só depois da décima cerveja. Eu não sei beijar. Nunca me disseram, mas é tão certo em mim que nunca esperei as palavras, faço aquela expressão de “foi o café que estava muito quente”, e, com meu “não saber” patético, alço meus títulos e diplomas e sumo. Saio sorrateiro pela madrugada, de mãos postas ante a lua, com poemas nas mangas e uma sensação de ridículo de uma tonelada no ombro esquerdo. No direito levo a placa de sempre, o riso insosso e a casa da paixão escancarada à esperança de um “pra sempre”.

Ivanilson Martins

Bloco de carnaval

Gloogle imagem

Achei que dançava. Meu corpo era mais um exposto dentro do mar de gente onde se encontrava perdida minha cidade. Mil pessoas passaram por minha pele. Mil peles roçaram na minha. Digitais nas minhas tatuagens. Vozes fragmentadas nos meus ouvidos. Um sorriso, lá longe, tentando se chegar. Confetes narrando poesia na frente dos meus olhos. Pés cansados esperando um ponto de chegada. Um sol imenso tentando atingir algo à sombra de todos nós. E uma alma intacta, com as mesmas valas de incêndios, com as mesmas pelancas de medo caindo da face: vazia e objetiva na margem de um rio infinito. É a minha!

Ivanilson Martins

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

FOI HOMOFOBIA!

Gloogle imagem

 Seu juiz, acabei de vir de uma biblioteca pública e, só porque eu estava de bermuda e chinelo, não me deixaram entrar.
Foi homofobia!
Essas regras públicas idiotas. Eu Fiquei tão irritado, que avancei um sinalzinho de nada, e uma guarda mal-encarada me aplicou uma multa.
Foi homofobia!
            Voltei, mas o horário no arquivo não estava reservado para mim, e, só por causa disso, não me deixaram entrar.
Foi homofobia!
Chamei a serviçal e pedi-lhe que reservasse outro, mas, essa disse que não havia. Chamei três ou quatro palavrõezinhos, e o guarda, puxando-me pelo braço, expulsou-me. Nunca me senti tão ultrajado, seu juiz.
Foi homofobia!
Como se não bastasse, um fusca e duas motocas chinfrins fechavam meu sedan, pareciam mancomunados. Essa gente parece que se materializa. Quando senti o primeiro pingo, entrei desesperado. Até tu São Pedro? homofóbico!
                                                    
Ivanilson Martins