quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Viajo a colher paisagens

Google imagem

Viajo a colher paisagens para atar estórias.
Paixão não me surpreende!
Me apaixono todo dia, inclusive por gente.

Ivanilson Martins


quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Solilóquio



Hoje sobrevivi a tudo o que me habita, sem precisar beber

Hoje mergulhei nos meus vazios, sem precisar entender

Hoje levei canções às margens da minha alma, sem precisar sofrer

Hoje vou com brisas e vísceras ao encontro de mim, sem precisar morrer

Hoje nem preciso de asas, armas, pomadas, lazer

Hoje rimas me escolheram: só precisei ser, ser, ser  

Livre e maldito, habito um verso, sem precisar escrever



Ivanilson Martins

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Você já se sentiu um charlatão?


Você já se sentiu um charlatão? Não pergunto aos charlatões! Esses o são plenamente e não há espaço dentro de si para dúvidas filosóficas.
Falo dos cheios de espaços não preenchidos, cheios de dúvidas, cheios de filosofias acerca de tudo, os chamados loucos, otários – falo dos não charlatões de carteirinha.
Tenho me sentido charlatão na minha essência, no meu interior e, consequentemente, nas minhas ações sociais, pois sou um mar de lama após o furacão, com tudo que existia antes, agora, resumido a fragmentos, num único corpo. E aquelas ideias adolescentes de fugir para um lugar melhor, nunca revelado; de plantar uma árvore no quintal; de criar um elefante... tudo parece vir como cartas de cobrança. Os personagens imaginários batem à porta com ânsias de existir.
Mas eu apenas consigo fechar os olhos e me manter como mais um na multidão, na esperança de que as coisas passem, como sempre passaram e me deixem, como sempre me deixaram.  
É a vida paralisada diante de mim, exigindo atitudes comuns aos que me cercam, mas apenas consigo dizer-lhe: vou arriscar outra forma.
E com a costumeira sensação ridícula de ser lesado em tudo, sigo à leve brisa vinda das páginas viradas dos livros.

Ivanilson Martins