quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Tenho um cofre repleto de paisagens



Tenho um cofre repleto de paisagens
Quando estou triste prego algumas nas paredes da vida
E abro janelas para outros mundos.

Tenho um peito repleto de amores,
Quando me sinto sozinho removo-os com poema-faca
E, de braços dados, seguimos em ciranda pelos jardins da eternidade.

Tenho horizontes repletos de caminhos, pelos quais vou e não volto.
Quando estou exasperado, finco bandeiras para não repetir dores.

Tenho gritos interiores,
Quando avisto quaisquer eclipses,

Apago as luzes ao redor e fecho os olhos, até verter por completo o que há dentro de mim.


Ivanilson Martins 

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Dentro de mim



Dentro de mim há uma orquestra inteira tentando atingir uma centelha de paz. Há estátuas sem rosto. Telas inacabadas. Rabiscos preciosos.
Há um quadro de Klint se derramando.
Dentro de mim, pés sangram, como se pisassem dores. Choram velhos abandonados e crianças abusadas.
Há imagens que se multiplicam.
Há outonos abraçados.
Dentro de mim, mãos estendidas pedem o que não posso dar – não há eternidade, dentro de mim.
Há um peito se debulhando.
Dentro de mim, fabrico coragem ante a certeza da morte.
Há segredos... Solidão... Crimes Impunes... Paixão...
Dentro não falta espaço para novas cores.
Dentro de mim há uma cama vazia, uma mesa vazia, uma pele vazia... Calafrios.
Dentro de mim, contra minha vontade, também estão os que riram das minhas diferenças; estão os livros que roubei e não li. 
Ah, quantos sonhos ainda me invadem...

Ivanilson Martins