sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Estatística de Ivan para 70 anos:




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Para os imbecis que acham que alimentam o rei imaginário de seu espírito pobre.

Estatística de Ivan para 70 anos:

- Nos dez primeiros anos não entendemos quase nada da vida, somos completamente dependentes dos adultos e estes, por sua vez, completamente dependentes do dinheiro, ou seja, somos dependentes do dinheiro.
- Dos dez aos quinze já temos consciência do poder do dinheiro em nossa sociedade e em todas as outras, então criamos nossos cofres imaginários e começamos a luta para enchê-los e torná-los reais.
- Dos quinze aos dezoito já somos fantoches da sociedade em relação a: aparência (não importa entendê-la e nem qual seja, mas tem que ser a da maioria); sexualidade (temos para todos os gostos): a ortodoxa – você pode usufruir limitadamente, desde que – entre muros – impostos pela panaquice religiosa que impera em qualquer subdesenvolvimento e, tais muros, podem ser os criados por nós ou pela sociedade. A bilateral – você tem prazer das formas: convencional com o sexo oposto, ou a marginal com o mesmo sexo e, neste caso, deverá procurar alternativas caso ainda esteja na fase: tenho desejo, mas não tenho coragem. A avassaladora – sei o que sou, mas não me encaixo em nenhum paradigma anterior e como sou um produto da filosofia estúpida da necessidade de aceitação, eu jogo na cara de todos minha estirpe anômala, desconsiderando o fato de que a não-aceitação também é um direito e só torna-se um problema quando se configura em exclusão e depreciação.
Mas, sempre existe a possibilidade de, estando insatisfeito, “COMER, REZAR, AMAR”, lógico, se você tiver dinheiro.
- Dos dezoito aos trinta não existem mais tantos esconderijos, pois nossa sociedade carcereira, ku klux klan, elitista infantil e pobre de espírito começa a nivelá-lo pelo tamanho do seu pênis, sua cor, o recheio de sua garagem, seu conhecimento: Capitu traiu? e, lógico, sua conta bancária.
- Dos trinta aos quarenta você aproveita pressionado sua juventude, pois nós temos prazo de validade e os quarenta é o anúncio do limite, depois você terá que recorrer a medicamentos para deixar o pau em pé e, se você for da sexualidade ortodoxa, pode comemorar por pegar sempre os que estão na fase anterior desde que, lógico, você tenha dinheiro. Se for das outras dependerá ainda mais dele.
- Dos quarenta aos sessenta você começa a apelar para sexo, pois este é o antidepressivo e ditador mais eficaz de todos – dois mil anos no poder e sete bilhões de dependentes – apela para a saúde e: TENHA PLANO, pois em país subdesenvolvido – boa saúde é artigo de luxo e, só tem quem tem dinheiro.
- Dos sessenta aos setenta você junta todos os pombos que puder já que eles serão sua única companhia, desde que você tenha milho para jogar para eles e – para tanto se exige: DINHEIRO.   

Essa é lógico uma visão artificial e pessimista de uma pessoa desestimulada, mas antes de tudo – uma pessoa.

ivan


quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Mi héroe era un huérfano: EL CHAVO DEL OCHO.


Roberto Gomes Bolaños CHAVO DEL 8 (Gloogle imagem).

Hoy puedo ver algunos trozos de mi aprendizaje, su intensidad y sus valores. Puedo ver como se dio en mi infancia sencilla. Allá está ella una herramienta invencible, mi hermanita chévere y compañera injuzgable: la tele y sus mágicos personajes – en especial El Chavo del Ocho y El Chapulín Colorado – y si es verdad que nuestro carácter e identidad se hacen hasta los siete años – los míos se hicieron con ellos. Solo hoy puedo ver claramente: a mí no importa si la ropa es remendada, yo veo, sin demagogia, si el mirar es verdadero; yo sé que los héroes pueden tener miedo no hay problema, pues lo más importante es enfrentarlo; veo que no existe una vecindad perfecta porque no existe perfección – ella es una construcción diaria.
 Agradezco a ti Roberto Gomes Bolaños por los rastros en mí personalidad, te quiero muchísimo bien porque estuvieste presente en mi vida de la forma más productiva posible, enseñando a mí sin conocerme: lo bueno que es jugar solo con la imaginación, aunque, por veces, estemos con hambre, sin prendas adecuadas y llenos de limitaciones, pero no necesité de escudos plateados, armas invencibles y súper poderes, como hoy hacen creer los héroes norte americanos en las pelis y videos – mi héroe era un huérfano: EL CHAVO DEL OCHO.
Es maravilloso poder decir – hoy tengo otras perspectivas, soy un hombre que respeta las villas humildes y sus familias solo con madres o solo con padres por saber que también en ellas existe belleza, existe el Chavo, la Chilindrina, el Don Ramón, Señor Barriga, la Bruja del 71, el Kiko, la Dueña Florinda y su Maestro Jirafales…
Esta es mi forma de agradecerte – con mi escrita – por ser uno de mis padres – GRACIAS.   

Ivanilson Martins

quinta-feira, 31 de março de 2011

Quer visitar Olinda? Se garanta!


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Se algum turista amigo me escrevesse perguntando: devo passar minhas férias ai, em Olinda? Eu diria: é maravilhosa, em beleza e história. É uma das mais preservadas cidades coloniais do Brasil, mas, como cidadão olindense, eu alerto – ela mantém vivas outras peculiaridades coloniais: nossos altos impostos não refletem nossa qualidade de vida.
Venha com um ótimo plano de saúde, ou com um grau elevadíssimo de mediunidade, pois, para usufruir do “excelente” atendimento nos postos públicos, dado por pseudoassistentes de saúde, indicadas pelos nossos (lugar destinado à boa educação) vereadores, você terá que intuir com meses de antecedência suas doenças, uma vez que sua consulta só se confirmará quando fizer aniversário, ou seja, Olinda tem gente que torce! Ah, esqueça isso de “prioridade para mulheres, crianças e idosos”. Para pegar a ficha de atendimento pro próximo mês, na escuridão da madrugada: todo mundo é igual.  
Venha com hospedagem garantida no centro, já que a periferia só receberá a visita do prefeito, quando este for candidato; só aparece no rodapé da mídia, quando queima pneu e interdita avenida, e, lógico, quando exalta a negritude em arte nas ladeiras carnavalescas. Essa mesma periferia se boicota pichando suas escolas e quebrando seus orelhões; prefere votar na final do Big Brothers a dar seu voto no Orçamento Participativo (OP), para definir as prioridades do dinheiro público, mas também há criatividade aqui – em criar siglas: CAC (comando de Águas Compridas), VDB (vândalos da Bondade), TGN (turma da gata de Nova Olinda), CQJB (cornos da quebradeira de Jardim Brasil), MRD (maconheiros de Rio Doce) entre outras. Quem disse que não somos organizados?
Nossas periferias fazem arte à torta e à direita – essa arte pode ser vista: alegrando palcos no Carmo, Fragoso e Guadalupe; transformando artisticamente comunidades no nascedouro de Peixinhos; transmitindo cidadania às famílias dos catadores de Santa Tereza e Sitio Novo; abrindo os dentes da elite e exercitando os punhos da burguesia no bater da alfaia e no rabo-de-arraia da capoeira, na Sé... Mas, terminado o evento, amontoam-se de volta ao aquecimento coletivo de Xambá, ao salto com revezamento da PE-15, ao “pegue-seu-lugar-a-todo-custo” do terminal de Rio Doce... ao esquecimento.  
E, por falar em coletivo: venha motorizado, pois nossos ônibus além de inseguros podem passar sarna e estão sempre lotados. E nossas integrações (as que estão e as que virão) são belos exemplos do quanto ainda somos colônia. E se estando sem carro, pretender ultrapassar às 23h, na rua, terá que ir para nosso primo ao lado: Recife, que, diferente de Olinda, dispõe de bacuraus para as periferias, inclusive as nossas, pois nosso prefeito certamente tem carro, e se não tivesse, os bairros de destino costumeiros por certo não seriam os das siglas acima.
Venha só pelo sol, pois nossas praias agregam diversos banhistas: coliformes, bactérias, germes e, lógico, nós humanos. E como micoses não esperam aniversário de consultas – é melhor não arriscar.
Não se limite às comuns paisagens praieiras de Casa Caiada e Bairro Novo e às ruas bem asfaltadas de Bultrins, Jardim Atlântico, Amparo e Ouro Preto. Fotografe, também, o canal aberto de Salgadinho, recheado de espécies raras e ainda não catalogadas por nenhum biólogo; os morros do Alto da Conquista, modelado a cada chuva; as matas virgens que rodeiam o Alto do Sol Nascente; a feira do troca-troca de Caixa D’água, que acompanha a de Caruaru em variedades; o risca-faca de Passarinho, onde as garçonetes estão no cardápio; e o lixão de Aguazinha, que mesmo desativado, ainda é arrimo de muitas famílias. 
Venha destinado a não sustentar máfias, pequenas ou grandes: dando esmolas; pagando flanelinhas; comprando pipoca e mentos de crianças; pagando a cervejinha do pequeno-poder; virando a vista das crianças da V8, se prostituindo por drogas no viaduto do Varadouro; ouvindo o arcebispo mó e toda sua corte intocável – patética... pois, estas aí, a gente já sustenta há muito tempo. Quer visitar Olinda? Venha com os braços abertosolhando pros lados.


Ivanilson Martins