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O
primeiro sentido tomado fora a visão: olhou-o sentado, tão pleno de beleza
estava. Estava mergulhado na paisagem, era um parque, uma praça, um jardim,
enfim, algo a rodeá-lo, a compor sua estrutura magnifica de homem. Levantava a
cabeça para o céu e baixava-a, pesada da gota do belo, lançada até ele. Lançada
pelo eterno, pelo nirvana a usá-lo como ponte ao seu deleite.
O
segundo sentido tomado fora a audição: até ouvir sua fala, ouvira dos
arredores, em definições exageradas, o trinado da natureza, seu lamento
contido, seu piado, seu trote de folhas e flores, sua cantilena de brisas e
ventos. Ouvira um tinir tímido, quase imperceptível dos raios solares a bater
na proa das árvores; o voejar diferenciado de cada pássaro, e, enfim, ouviu sua
voz, e todos os outros sons armaram-se em ciranda, esperando o momento febril
para juntar-se e formar uma espécie de coral.
O
terceiro sentido tomado fora o olfato. Não se trata apenas de cheiro, o que
entrou por suas narinas tinha, consigo, uma espécie de tato também. Não se pode
definir odores. Não há como medir proporções, nem entusiasmos – fora enlevado ao
pleno, como no ápice de uma paixão.
O
quarto sentido tomado fora o paladar: um beijo! Veio antes de palavras. Veio
sem demarcações e ou regramentos. Não era algo bonito de se ver, pois um não
acompanhava o ritmo do outro. Mas era belo! Os sabores vieram todos de uma vez,
como uma cachoeira em desalinho. E eram muitos, sem ordenamento... as porções
ora eram amplas, ora eram medias, ora eram insuficientes dentro do elo que se
tornara a boca de ambos. Sabores...
O
quinto sentido tomado fora o tato: na verdade, quase fora o quarto, mas, as
mãos, chegaram após o beijo, milésimos de segundos após. Quem sabe das mãos de
um, não saberá das do outro, pois não há como ver o todo desse abraço. Alguns
recantos estavam completamente encobertos pela ânsia. Mas, pode-se dizer do
maravilhoso daquele trançado de pernas tentando encontrar uma melodia conjunta,
para desfrutar melhor o instante. Se pudéssemos vê-los por dentro, haveria mais
desconforto que prazer naquele ato primeiro de olhar e ver; ouvir e escutar;
sentir e cheirar; experimentar e reconhecer; encostar e vivenciar. Mas, como no
encontro da semente com a terra e a água e o sol, eles tornaram-se árvore
frutífera. Alguns chamam de Amor!
Ivanilson Martins

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