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Se perguntarem por
mim...
Estou dentro de um
Fado, prestes a me tornar nascente.
Estou
entre os versos falados, pensados, sentidos e escritos pela Emily Dickinson,
movo-me como um balão entre cactos espinhosos no mundo de fora. Atravesso todas
as almas que tenho e me inclino como um louco querendo voar.
Se
perguntarem por mim...
Estou
à margem do Rio Capibaribe, com os pés enterrados na lama, cavoucando lixos
como se fossem pérolas.
Se
perguntarem por mim...
Sou
a Ana Flávia da esquina aniquilando hipocrisias.
Se
perguntarem por mim...
Carrego
telas vindas de um infinito silencioso e intenso.
E
estou usando meu corpo como instrumento de plenitude, alteando microfones e
engolindo solidão.
Dize isso... dize
que há tempos tento livrar-me de mim.
Ivanilson Martins

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