quinta-feira, 21 de maio de 2015

Sou pernas do pensamento...

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Eu não estou bem! Meu discurso se resume a lamentos, e essa busca por analogias tem sido a atitude menos danosa para me manter são. Descobri cedo algumas verdades e estas parecem me isolar. A vaidade é a primeira viúva do tempo, desatou-se de mim como as cores de uma tela exposta ao sol. Não há melhor estampa para o triste que o P/B. Minha solidão se emoldura num porta retrato digital, repetindo as mesmas imagens. Opcional? Apenas sua posição na estante. Ver a vida através da janela, na presença da brisa do ventilador, da música do vizinho, de uma casa vazia, de pensamentos sem contorno e de uma liberdade sem feições, transformou-se em algo banal. Não há ânimo para mudar de canal. Não há voz para gritar. Até o infinito da linguagem parece apagar-se em mim. Absorto, de lábios colados, cabelos em palha e pele contraída, forço uma camuflagem com a noite.
E nada disso se fará entendível quando apenas lido no olhar. A voz vacilante e espaçada, os gestos dispersos e intensos, a ênfase em determinadas passagens – e a personalidade de quem compartilha – deixa claro que não se trata de algo meramente escrito.

Sou pernas do pensamento, tenho sempre a mesma ânsia desabrochando no espírito. O tempo me auxilia na ilusão de ser livre.
Ivanilson Martins 

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