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Eu
não estou bem! Meu discurso se resume a lamentos, e essa busca por analogias
tem sido a atitude menos danosa para me manter são. Descobri cedo algumas
verdades e estas parecem me isolar. A vaidade é a primeira viúva do tempo,
desatou-se de mim como as cores de uma tela exposta ao sol. Não há melhor
estampa para o triste que o P/B. Minha solidão se emoldura num porta retrato
digital, repetindo as mesmas imagens. Opcional? Apenas sua posição na estante.
Ver a vida através da janela, na presença da brisa do ventilador, da música do
vizinho, de uma casa vazia, de pensamentos sem contorno e de uma liberdade sem
feições, transformou-se em algo banal. Não há ânimo para mudar de canal. Não há
voz para gritar. Até o infinito da linguagem parece apagar-se em mim. Absorto, de
lábios colados, cabelos em palha e pele contraída, forço uma camuflagem com a
noite.
E
nada disso se fará entendível quando apenas lido no olhar. A voz vacilante e
espaçada, os gestos dispersos e intensos, a ênfase em determinadas passagens –
e a personalidade de quem compartilha – deixa claro que não se trata de algo
meramente escrito.
Sou
pernas do pensamento, tenho sempre a mesma ânsia desabrochando no espírito. O
tempo me auxilia na ilusão de ser livre.
Ivanilson Martins

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