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Olho-me ao espelho e sinto, à duras
penas: há mais do lado de lá.
Há uma respiração ofegante;
Há lábios vermelhos;
Há uma estante com livros ao fundo;
Uma porta de saída;
Há uma réstia de brilho se escondendo
num fundo de olho;
Há aqueles poemas bobos de infância saltando
da memória e franzindo a pele entre as sobrancelhas: “num canto há um canto que
canto com encanto”.
Ah, este do espelho é o reflexo do
medo que me habita.
O medo de ser livre e sair por aquela
porta e não mais voltar.
Ivanilson Martins

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