Quando o inverno chegar, vai me
encontrar dando pra um sábado; chupando toda a seiva bruta de um domingo;
Debruçado sobre o rastro deixado pelo
outono
– em direção à suruba dos dias.
Quando o inverno chegar, com suas
chuvas espaças e seu clima de panos grossos sobre a pele, vai me encontrar com
uma camisa de vênus protegendo o nervo vivo das falanges da melancolia; das
garras do silêncio impelindo meu espírito ao cansaço das folhas açoitadas por
estacas de água.
E quando o inverno chegar querendo
puxar-me versos, vai me encontrar deitado, extático, tentando escutar o vazio
do corpo. Vou estar como uma bolha de sabão que guarda uma porção de nada até
desaparecer.
Ivanilson Martins
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