segunda-feira, 25 de maio de 2015

A noite acenava ao meu desespero.

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Num silêncio movediço,
a noite acenava ao meu desespero.
Eu tentava amarrar os cadarços das emoções;
Fechava os olhos;
Apertava os pulsos sob o lençol.
– Sou covarde!
– Lança-me a outra curva. 
Quando abri os olhos, demorei a captar a normalidade;
Do incenso caíam as últimas cinzas;
Minha respiração ofegante já cobria silêncio
– Sou meu único desafio, agora.  
Ivanilson Martins



domingo, 24 de maio de 2015

Poema


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E quando escrevo um poema:
Sou inverno sem paradeiro.
E quando pinto:
Sou bento vertendo cores.
E quando danço:
Misturo estrelas em mim.
E quando modelo um busto:
Tenho a pretensão do ourives.
E quando canto:
Sou voz suspensa até o ocaso.
E quando sou teatro:
Sou pele-palavra-paixão. Espírito múltiplo.
E quando chego à sétima arte:
Atravesso corações sem bússola e sem cronômetro. 

Ivanilson Martins


sexta-feira, 22 de maio de 2015

Se perguntarem por mim...

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Se perguntarem por mim...
Estou dentro de um Fado, prestes a me tornar nascente.
Estou entre os versos falados, pensados, sentidos e escritos pela Emily Dickinson, movo-me como um balão entre cactos espinhosos no mundo de fora. Atravesso todas as almas que tenho e me inclino como um louco querendo voar.
Se perguntarem por mim...
Estou à margem do Rio Capibaribe, com os pés enterrados na lama, cavoucando lixos como se fossem pérolas.
Se perguntarem por mim...
Sou a Ana Flávia da esquina aniquilando hipocrisias.
Se perguntarem por mim...
Carrego telas vindas de um infinito silencioso e intenso.
E estou usando meu corpo como instrumento de plenitude, alteando microfones e engolindo solidão.
Dize isso... dize que há tempos tento livrar-me de mim.


Ivanilson Martins