sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Tem muita gente desaparecida neste país...


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Existe uma lei relacionada a isso. Se pararmos para refletir o quanto temos a ver com isso mesmo sem desaparecidos em nosso meio social. Crianças e adolescentes raptados para prostituição, inclusive em outros países. Além de: escravidão; retirada de órgãos e outros inúmeros tipos de absurdos, os quais nós não estamos acostumados a ver no intervalo da novela e do big brother.



A Lei nº 11.259/2005, conhecida com "Lei da Busca Imediata" (Parágrafo 2º do artigo 228 do Estatuto da Criança e do Adolescente), determina a investigação policial imediata em caso de desaparecimento de crianças ou adolescentes. Somou-se a este esforço, a sanção da Lei nº 12.393/2011, que instituiu a Semana de Mobilização Nacional para Busca e Defesa da Criança Desaparecida, a ser realizada anualmente no Brasil de 25 a 31 de março. Em atenção ao que preconiza esse marco legal, serão ampliadas anualmente neste período, ações estratégicas de mobilização da sociedade em prol da proteção e localização de crianças e adolescentes desaparecidos, assegurando assim a todas as crianças e adolescentes o direito à convivência familiar e comunitária.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

É melhor não imaginar...


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Pensando dobre o amor e a relação a dois vi que existem disparidades, pois o primeiro é atemporal, nunca é tarde para ele e aquilo tudo que já foi mais do que falado. Mas e a relação a dois? Essa sim é temporal e com prazo de produtividade marcado – haja vista que pessoas ultrapassam diversos limites para trocar fluidos corporais – eu nunca senti essa necessidade exacerbada por sexo ou relação amorosa, mais que isso, sempre achei repugnante e infantil tal dependência, mas agora admito certa coerência nisto. É preciso correr contra o tempo – digo isso sem nenhuma intenção de terrorismo – nosso corpo também se completa no do outro.
Sendo otimista em relação à vida...
Se meu outro só resolver aparecer aos 70?
Minha nossa!
Imagina a limitação de tal encontro: não poderemos correr um para o outro, uma vez que nossas pernas mal suspenderão nosso corpo flácido; não poderemos dar aquele beijo, pois faltarão dentes e nem poderão ser tão doces, pois nessa idade uma hiperglicemia pode ser fatal. E a música de fundo deve ser alta e nítida para atender tal carência de boa audição. Nem um poderá carregar o outro como naquele filme encontrado na sessão dos clássicos fora de catálogo; o caminhar deve ser cronometrado, a visão bem expansiva e o ritmo lento – nem ouso falar do depois – ele é cada vez menos depois.
Sei que o que temos por dentro supera inúmeras dificuldades e no espírito eu me garanto, mas – vou procurar apertar um pouco o passo em algumas coisas.

Ivanilson Martins


terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Cabeças Raspadas x Conceito de Cidadania


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Não me sinto incomodado quando vejo Lula, Reynaldo gianecchini, Hebe, Ana Maria Braga, etc. com suas cabeças raspadas dividindo com o Brasil suas dores e, após alguns meses, felizes por suas recuperações daquilo que amedronta muita gente – o câncer. 
Fico incomodado quando cruzo o corredor da fundação Altino Ventura em PE e assisto a contra gosto crianças, adultos e idosos na iminência de perder suas visões por não ter como bancar exames simples. Incomoda-me a normalidade e pequeno poderio idiota dos atendentes de telefone do mesmo local em dizer que não há vagas. Seus oftalmologistas reinantes ao estamparem sobre os quatro cantos do hospital seu drible daquela condição ultraje dos pedintes por consulta – pobre do país dependente de medíocres diplomados – esse é o mesmo país que suga todos os anticorpos de dignidade humana e deixa sua população carente de cidadania.
Acompanhar a doença de celebridades (e toda patetice desta palavra) é – ou deveria ser – um motivo de avaliação popular: ver a mídia, tão destrutiva quanto qualquer ditador, armar lonas para humanizar o povo e depois fazê-lo aplaudir a recuperação de seus “heróis” é tão revoltante. Não pelo fato da cura – conquistada por altos investimentos bem distantes daquele corredor do Altino Ventura. Mas pelo proveito cruel tirado da alienação do povo que, na sua falta de criticidade não enxerga que por trás de uma Hebe-Camargo-de-cabeça-raspada existem milhares de brasileiros de pires na mão em filas de hospitais públicos. Se cada brasileiro diante de uma TV a sentir pena de tal dor se convertesse em um representante e aspirador de cidadania. Se...
Incomoda-me a tentativa insalubre que insistimos em edificar de esconder-se, não se sabe onde, problemas tão visíveis deste quase-continente-Brasil. Somos um país cativo em essência e temos o pior dos povos – aquele que só vai para rua pedir dinheiro; quando não, expor e inventar miséria perpetuando, muitas vezes, inconscientemente, um neocolonialismo interno, pois somos pobres por dentro criando “flores amarelas e medrosas”.
A cabeça raspada de famosos é efêmera, em sua maioria, dever-se-ia nesse país acabar com a negligência das que estão jogadas em corredores públicos – pessoas tão cidadãs e contribuintes quanto.

Ivanilson Martins